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Isaías no Benfica!


Primeira Liga 2017/18



O clarividente Fora de Campo do Shadows

por Admirador do Isaías, em 19.07.17

Mantenho um silêncio propositado nesta pré-época quanto Ao Sport Lisboa e Benfica, estando na expectativa em relação a situações que prefiro observar por enquanto.

 

Benfica à parte, não posso deixar de partilhar o post "Fora de Campo" do Shadows no NGB, com o qual concordo e ao qual atribuo enorme importância:

 

Os profissionais da indignação levantam-se em uníssono!
 
Contra quê? 
 
Indignados com os 13 milhões doados pelos portugueses e que estão presos sabe-se lá onde enquanto os cidadãos a quem se destinavam continuam a passar necessidade?
 
Indignados pelas toneladas de roupas, medicação e alimentos que estão armazenados em tendas e armazéns e que estão interditos às organizações de cidadãos que os querem distribuir à população idosa que não tem meios de transporte próprio e que não pode se deslocar ao centro de distribuição definido por uma outra organização insensível à realidade e magnitude da tragédia?
 
Indignados por mais de 60 cidadãos que morreram de forma trágica e que, passado um mês, ainda nada foi feito para que “outro Pedrogão” não surja como se viu em Mangualde ou em Alijó?
 
Indignados por um SIRESP que até distribui dividendos mas que não funciona para aquilo que foi contratado nem pode ser responsabilizado por isso?
 
Indignados por um banco público que precisou de mais de 4.000M€ dos nossos impostos (e vai precisar de mais ainda) e afinal não há responsáveis por esse buraco? Foi “a crise”?
 
Indignados por armas de guerra ter sido roubadas por falta de meios de quem as deveria guardar enquanto se pagam centenas de milhões de euros em rendas à EDP ou PPP’s rodoviárias?
 
Indignados por ninguém se demitir e assumir as suas responsabilidades?
 
Indignados por políticos incapazes de resolver qualquer problema mais complicado em tempo útil?
 
Não. 
 
Isso são coisas menores. 
 
O que realmente indigna os profissionais da indignação são as opiniões, polémicas ou não, de um médico que teve realizações notáveis ao serviço da humanidade e que com isso salvou VIDAS. 
 
O que realmente indigna os profissionais da indignação são as opiniões de um advogado que, polémico ou não, limita-se a repetir o que o comum dos portugueses diz quando está numa sala de espera qualquer deste país.
 
Isso sim obriga a conferências de imprensa inflamadas, a pedidos de demissão furiosos e até a abaixo assinados a exigir a decapitação dos envolvidos.
 
Parece que a liberdade de expressão é boa mas só após passar no crivo da censura da nova moral.
 
 
 
Da esquerda à direita, os militantes do "Je suis Charlie" suspenderam a liberdade de opinião.
 
 
O mais engraçado é que os profissionais da indignação eram os primeiros na fila da frente das manifestações a favor do “Charlie Hebdo” com pequenos cartazes a dizer: “Je Suis Charlie”.
 
Apetece é repetir as palavras do Rui Sinel de Cordes:
 
 
 
Já agora, quando forem à feira, vejam qual destes é o programa de facturação utilizado pelo vosso feirante preferido. 
 
 
Os outros comerciantes que pagam impostos e são obrigados a pagar por um programa de facturação para poderem ter a porta aberta estão curiosos.
 
Afinal há ou não liberdade de expressão?
 
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rematado às 09:38


Extraordinariamente "bem esgalhado"!

por Admirador do Isaías, em 27.06.17

Num mundo de mercadores, nada como aproveitar a oportunidade do momento, nada como transformar o ataque sobre nós em paródia. Extraordinariamente "bem esgalhado"!

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rematado às 19:44


Amor à camisola? Primeiro é preciso amar...

por Admirador do Isaías, em 14.09.16

A atitude do Talisca ontem, ao marcar o golo do Besiktas na Luz, apenas meses depois de ter celebrado o tricampeonato com o Benfica, provocou das mais variadas reacções. Uns condenaram veementemente, outros disseram que era uma situação normal.

 

Há uns dias atrás, houve um post no NGB, do Redmoon, que constatou algo óbvio. Pareceu-me que o Redmoon, no entanto, não aprofundou os motivos que tornam evidente esse estado de coisas.

 

Não tenho pretensões de o conseguir fazer plenamente, mas, pelo menos, tentarei colocar alguns pontos para debate, de modo a permitir que se chegue a alguma ideia mais clara.

 

A verdade é que, para o adepto, um profissional de futebol não é só um empregado que presta um serviço a troco de um salário. É parte de uma família. Por muito irracional que isso seja, é uma necessidade do ser humano saber com que pessoas contar, em que pessoas confiar. É irracional, porque os "profissionais" (sejam da bola ou de outra coisa qualquer) estão inseridos num mundo de egocentrismo mercantil e narcisista, estimulados por todos os lados para obter mais e mais rendimento, dê por onde der. Mesmo quando há uma quebra dessa confiança, a necessidade que mencionei é tão forte que se adaptam as leituras das circunstâncias, por forma a manter mais ou menos intacta a visão que se tem dessa família. Por isto é que, por exemplo, se vota geralmente sempre nos mesmos partidos e pessoas que giram à volta dos mesmos círculos de interesses, mesmo sabendo e tendo provas que houve mentira.

 

Uma massa de pessoas é um ser próprio, diferente de cada um dos seus indivíduos.

 

O que se passa no futebol, passa-se na vida social em geral. As pessoas perderam o sentido de confiança umas nas outras, perderam também as suas identidades, entregues com a promessa de um mundo melhor. Os "cotas" não percebem nada e os "jovens" têm as portas do mundo abertas e percebem tudo. Contudo, o que obtiveram e irão continuar a obter trata-se de um mundo cada vez mais inócuo, despido de valores que, alguns foram percebendo ao longo do caminho, afinal fazem falta.

 

Porque nos lembramos sempre de Eusébio quando pensamos em Benfica e Amor à Camisola? «Já não há Eusébios, jogadores com verdadeiro amor pelo clube» dizem muitos e com razão, mas qual o motivo de não haverem mais jogadores com essa dedicação, esse amor?

Todos nós, adeptos, levámos a bofetada da mudança de Jorge Jesus e de Maxi Pereira para dois rivais. Por muito que se racionalize, que se diga que até foi melhor, etc, todos sentimos, porque se trata de uma necessidade absolutamente irracional. Só que se no mundo, na vida do dia-a-dia, o valor máximo é o dinheiro, como esperar que possam aparecer outros Eusébios? Num mundo em que as relações entre as pessoas são, na generalidade, vãs e efémeras, em que as famílias estruturalmente fortes estão em vias de extinção, como esperar que possam surgir "filhos desta era" com uma atitude diferente?

 

Não sou cínico nem hipócrita. Eu próprio vivo nesse mundo que descrevo e tenho de conviver com esse novo paradigma. Eu próprio já tratei com o mesmo desdém que hoje condeno, esse conjunto de valores que, vendiam-me, "nos aprisionava".

Também não afirmo que nos anos 60 ou que no "tempo dos nossos avós" é que era bom - longe disso - mas estava-se então a uma maior distância desse "vazio" que se observa hoje.


Só que o resultado visível para aquele que observa enquanto os anos vão passando, bem como a experiência de vida vai aumentando, é que o âmago da questão reside na perda da capacidade de AMAR. É tão simples como isto.

Para amar é preciso colocar algo de superior acima da satisfação imediata, própria e material. Contudo, temos toda a sociedade a estimular os seus elementos a não se comprometerem com nada, a tratarem apenas de si mesmos, a entenderem valores numerários em contas bancárias como sinónimo de supremo sucesso. Muitos desses novos filhos da sociedade mentem-se quanto a isso, dizem que há valores mais importantes, para se sentirem bem consigo perante o quadro de valores que é inexistente. No entanto, quando observados numa situação de pressão, desmonta-se a máscara e vê-se que aquele amor "às coisas mais importantes" nada mais era que interesse efémero e narcisista pintado a falsa moralidade.

Não há Amor à Camisola - é um facto. Só que este só não existe, porque não há amor a nada. O verdadeiro amor, equilibrado naturalmente no dar e no receber, foi substituído por uma folha artificial que anota o deve e o haver. Amizade? Um conjunto de interesses que mudam conforme as circunstâncias. Casais? Hoje serve esta/e, amanhã procura-se outra/o se algum obstáculo surgir pelo caminho que se oponha ao "sentir bem".

Como pode, assim, haver Amor à Camisola? Claro que não. Hoje amam o Benfica e beijam o emblema, pois isso dá-lhes o apoio e o verdadeiro amor dos adeptos, mas amanhã, quando surgir outro clube que dê mais dinheiro, mesmo que seja um rival, lá vão, beijar a camisola do outro lado. Isto porque não sabem amar, mesmo que afirmem a pés juntos e muito indignados que sim, sabem, que até amam os filhos que educam de forma vazia como eles foram e as esposas que basta que a sua carreira trema e a estabilidade financeira esteja em risco, para procurarem melhor poiso.

Vivemos num mundo de máscaras mentirosas que tapam criaturas eticamente obscenas. Se grande parte de nós, um dia, nos confrontássemos com a nossa verdadeira imagem "ao espelho" do espírito, não suportaríamos sequer tal realidade, tratando logo de justificar o injustificável com mais tinta psicológica por cima da alma.

 

Carl Gustav Jung escreveu:

 

«As pessoas farão qualquer coisa, não importa o quão absurdo,

para evitarem olhar para suas próprias almas.»

e

«Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor.

Um é a sombra do outro.»

 

Posto isto, e em suma, a verdade que observo é que os jogadores agarram-se a uma forma de hipergamia, por vezes obsessiva, sob a desculpa de que as suas carreiras são curtas. No entanto, curtas ou longas, acabam por verificar que nunca chega o dinheiro. Depois vão para treinadores ou outra função empresarial e continuam no mesmo ciclo como antes.

Só que isto é um reflexo da sociedade, não uma situação exclusiva ao futebol ou sequer ao desporto.

Amor à camisola? Primeiro é preciso amar... e isso só poucos entre nós verdadeiramente entendem.

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rematado às 16:25


RedMist dixit

por Admirador do Isaías, em 02.08.16

Apanhei, no Ontem vi-te no Estádio da Luz, um texto notável de alguém que assina como RedMist. Merece o destaque.

 



1. Não tenho quaisquer dúvidas de que, à luz do Benfica do século XXI, o termo “pragmático” será seguramente o rótulo mais lisonjeiro com que a actual corrente “encarnada” brindará os vulgos “abutres”, “garotões” ou “vale azevedistas”. Algo que, à luz das respectivas práticas e valores defendidos, orgulha-me particularmente.

2. A volatilidade dos adeptos encontra-se, actualmente, desfocada do seu verdadeiro centro e propósito: ao sabor da bola que entra ou sai, de aquisições ou renovações de produtos comerciais, de uma cegueira e castração seguidistas que redundam num benfiquismo artificial, corporativo, comodista, bacoco: em suma, morto e enterrado. E todas as pré-épocas e títulos do mundo não alterarão esta realidade.

3. O Benfica: de liberdade, espírito crítico, discussão, compromisso, sentimento… já não lá está. Ficou gravemente ferido com a destruição do antigo (e verdadeiro) Estádio da Luz, tendo entretanto perecido a sucessivas estocadas perpetradas sempre pelos mesmos: os seus. Seja na forma de uma direcção que as efectiva, seja na forma de adeptos que não só o permitem, mas inclusive aplaudem-nas.

4. Porque o mal sempre floresceu perante a fraqueza ou apatia do bem. Porque, se não és parte da solução, és parte do problema.

5. Claro que existirão sempre por aí umas quantas ovelhas tresmalhadas. A teimar pensar pela sua própria cabeça. A desconstruir práticas e propaganda. A repor a verdade acerca da verdadeira essência do benfiquismo: porque, essas sim, não têm memória fraca, conhecedoras que são do Benfica em toda a sua gloriosa história (e não somente do seu período mais negro, com o qual os mesmos habilidosos de sempre procuram amedrontar os sócios, única e exclusivamente tendo em vista perpetuarem-se no poder).

6. Gente que teima em recordar e suspirar por tempos cada vez mais idos, cada vez mais apagados da memória e da alma colectiva. Em suma: a pregar aos peixes.

7. Como João Santos, para quem, a ideia de destruir o Estádio da Luz, seria o equivalente a destruir o Partenon de Atenas, o Coliseu de Roma ou as Pirâmides do Egipto. De que nos valeu o testemunho de um ex-presidente cujo currículo conta, entre outros feitos, com 2 finais na Taça dos Campeões Europeus (a verdadeira competição europeia do clube) e um combate incessante e notável à podridão que já então assolava o futebol nacional?

8. De nada. Quem de direito sabia exactamente ao que vinha. E nem sequer foi necessário um passado relevante de benfiquismo, um carisma absorvente ou uma argumentação distinta: bastou dinheiro, as promessas estafadas de sempre, amedrontar os adeptos com o discurso do “ou eu ou o caos” e a dose certa de falta de vergonha que, por norma, os caracteriza.

9. Independentemente das beneficiações que Wembley ou Maracanã mereceram, era agora imperativo nacional destruir o maior património desportivo e sentimental de parte significativa de uma população e país: pertença de um clube, note-se a contradição, supostamente falido e à beira do fim. Empurrou-se tal desígnio pela garganta abaixo até o barro colar à parede e o lendário Estádio da Luz, edificado pelas mãos dos seus e integralmente pago aquando da sua inauguração, desapareceu para todo o sempre.

10. Era então tempo de dar lugar ao crédito, ao endividamento galopante, de avançar desalmadamente (entenda-se, em força e sem alma) para a primeira de muitas obras de cimento e betão: e sem a qual, não tenho dúvidas, LFV nunca sequer teria considerado candidatar-se ao cargo. Exemplo prático da aplicação do princípio do lucro pessoal. Da teia de relações alternativas. Do conluio interpares com vista a eliminar as alternativas que verdadeiramente deveriam interessar, enquanto símbolo de vitalidade e de defesa dos superiores interesses do clube.

11. Quando os padrões tidos para concorrer e desempenhar um cargo desta natureza e dimensão atingem tal grau de perversidade; quando os “notáveis” (quais “D. Sebastiões”), ao invés de combatê-la, integram-na; quando uma instituição se transforma numa massa seguidista que segue acriticamente ao som do medo ou da “promessa da semana”… deixo à consideração de cada um o verdadeiro grau de grandeza e de futuro dessa mesma instituição.

12. Uns verão nessa realidade um sinal inequívoco: não de apoio a um qualquer boneco da praça, mas de estabilidade, coesão, força – enquanto sinal mais óbvio da mais significativa das vitórias após tão conturbado período. Pessoalmente, apenas vislumbro estagnação, favorecimentos mútuos, desonestidade intelectual – toda uma mixórdia de conjugações que constituem prova cabal do inexorável definhamento dos mais elementares princípios que sempre nortearam o clube e os seus.

13. Foi assim que o Benfica entrou no século XXI. Foi desta forma que o actual paradigma teve o seu início: da ideia habilidosa de progresso à sua crescente e palpável desumanização. Quantidades intermináveis de tijolo, cimento e betão construídos sobre o cemitério de princípios e valores no qual outrora assentaram os alicerces do que verdadeiramente conta: a essência da alma benfiquisma.

14. Aqui e ali, ainda vou acompanhando o Benfica. Satisfeito por saber que ainda vai aportando alegria a tantos dela necessitados. Contudo, acabo por fazê-lo invariavelmente com indisfarçável desencanto: como o da óptica de um progenitor que viu um dos seus transformar-se em algo que estaria longe das suas intenções iniciais, não lhe suscitando particular orgulho. De quem sabe que, entre o que foi e o aquilo em que se tornou, muito de bom foi perdido.

15. Ciente que estou de que somente um significativo (e inevitável) trambolhão o fará acertar o passo. Uma válida aprendizagem somente passível de ser adquirida na adversidade: mãe do conhecimento da vida. Nos presentes termos, quiçá passível de ser administrada por terceiros, por aqueles que lhe querem pior – tal a sobranceria, cegueira e conspurcação que assola todos quantos dele deveriam cuidar.

16. Ou talvez seja somente necessário dar tempo ao tempo, aplicando-lhe a mesma lógica de leis como a da gravidade. Onde tudo o que sobe, tem de descer. De que é exemplo um passivo gigantesco, histórico e irresponsável. De que é exemplo a curiosidade factual em como, com vista a alcançar os mesmos saldos maquilhados e tangencialmente positivos de sempre, vai sendo necessário, a cada ano que passa, cada vez mais, mais, mais… Mesmo contando com toda a parafernália de acordos, transferências e lucros tão propagandeados.

17. Mais, mais, mais… Como aquele que, não sendo hábil nadador, vai dando aos braços o melhor que pode e sabe… mas que, invariavelmente, não sai praticamente do mesmo sítio. O tempo vai passando. As suas reservas vão diminuindo. Sem o devido auxílio, irá invariavelmente afundar-se.

18. Ano após ano: oportunidades irremediavelmente perdidas. Essas, já não voltam mais. E quando o filão se esgotar? O que restará para proteger? Quem ficará para apanhar os cacos e fazer deles o que seja? Que será de todos aqueles que acreditaram? Que depositaram as respectivas carreiras, o destino das famílias, o seu dinheiro suado e a boa-fé inerente a um coração que se abriu à crença na decência humana?

19. Um dia, muitos compreenderão, em toda a sua extensão, a distância que separa o genuíno sacrifício pessoal do mais puro egoísmo. Do bacoco culto de personalidade. Da lucrativa desonestidade intelectual. Da irresponsável e inenarrável política “agregadora”. Do atestado estatutário de ignorância passado àqueles que, ano após ano, os louvam.

20. Até lá, venha mais um canal propagandístico directivo: desta feita, na forma de rádio. Venham mais jogadores e transacções milionárias. Mais betão e cimento onde houver pinga de solo virgem. Mais acordos com nações desrespeitadoras dos mais elementares direitos humanos. Mais bajuladores. Mais vendidos. Mais robôs. Mais copinhos de leite. Mais banha da cobra. Mais areia para os olhos. Mais, mais, mais… que é disso que este povo gosta.

21. Que enquanto a chibata vai e vem, folgam as costas. Pelo menos, até ao dia em que a factura chegue – não a que é para ir sendo gerida, mas a que terá irremediavelmente de ser paga (assim o cinto aperte verdadeiramente e esta bandalheira complacente cesse de uma vez por todas). E tudo aquilo em que se empanturraram não sirva senão para lhes provocar uma indigestão. Não será como a que teve início na segunda metade dos anos 90. Será pior: muito pior. E a troco de quê verdadeiramente?

22. O Benfica está a perder: não para o FCP ou para o SCP, mas contra si mesmo. Está a perder para o egoísmo pessoal. Para o culto da personalidade. Para a mediocridade: por deixar-se manietar por tão pouco e, assim, recusar aspirar ao melhor de si mesmo. O Benfica está a perder… e por muitos. Resta saber se ainda tem o que é preciso para dar a volta ao resultado.

RedMist

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rematado às 09:10


Tapar o Sol com as peneiras

por Admirador do Isaías, em 09.12.15

A falta de trabalho táctico fica mais exposta quando a equipa defronta equipas de valor equivalente ou superior, ou mesmo equipas que tenham uma ocupação de espaços mais eficaz. Foi o que aconteceu ontem, uma vez mais.

Esta espécie de 4-3-3 (com a qual concordo bem mais que com o habitual 4-4-2 desta época) desequilibra menos a equipa e proporciona um conforto muito maior aos jogadores. Como uma equipa se constrói de trás para a frente, portanto da defesa para o ataque, haver um maior conforto é essencial para que depois se possa desenvolver melhor jogo ofensivo. Ainda assim, é inacreditável como se verifica que um princípio básico, básico até para o treinador de bancada mais atento ao futebol jogado pelo mundo fora, não parece ser do conhecimento do actual treinador do Benfica, Rui Vitória: o fluxo de jogo, tal como a construção de uma equipa, produz-se de trás para a frente, nunca no sentido inverso. Com a bola, a equipa tem de se movimentar e combinar de forma a progredir no terreno e chegar a zona de perigo em condições de efectuar remates eficazes. Claro que parece mais simples do que é, no entanto não deixa de ser um conceito básico. Não importa se tens Cristiano Ronaldo, Messi e Aguero na frente se a bola não lhes chega em condições jogáveis ou se a única forma de lhes fazer chegar jogo é em passes longos perante uma defesa fechada ou tentativa de jogo directo como última alternativa.

O Benfica não entrou a jogar mal, atenção. Trocava bem a bola e viram-se algumas combinações de que falo, ainda que lentas, mas o jogo não estava a pedir para ser sacudido por nós. Era o Atlético de Madrid quem precisava de correr atrás do resultado, pelo que foi uma estratégia adequada. Só que uma vez que o golo foi obtido (Eliseu preferiu, mais uma vez, marcar o homem aberto no exterior e estragar o movimento correcto do resto da defesa, colocando o avançado em jogo), não conseguiram aplicar à troca de bola uma acutilância e dinamismo de quem precisa de extrair algo mais.

A ausência de simples tabelinhas (que requerem movimentação e rapidez) é, como tenho afirmado, um claro sintoma da incapacidade de trabalho táctico, no posicionamento e nas instruções estratégicas, nos "princípios de jogo", de Rui Vitória. Pareceu que em Madrid ele tinha finalmente agarrado a equipa e a tinha trabalhado como queria, mas fora ilusão. Tratam-se de conceitos, repito, básicos, que a equipa não consegue implementar. Isto faz com que o jogo dependa demasiado das individualidades, como já afirmei anteriormente, sendo esta dependência de heróis nefasta à boa progressão dos valores oriundos da formação. É que repare-se: Semedo, Guedes e agora Sanches são heróis, mas esses, ainda que poética, metafórica e romanticamente, acabam todos no "cemitério" (futebolístico), pois a derrota e a "quase vitória" não são alicerces para o desenvolvimento de um jogador de topo. Os heróis da nossa equipa batem-se valorosamente como os Celtas o fizeram à milénios, no entanto, tanto nessa altura como agora, a táctica e a disciplina Romanas derrotam sempre um grupo menos organizado composto pelos mais bravos e fortes heróis. Associe-se uma à outra, no entanto, e obtém-se uma equipa de topo.

 

Eu reafirmo: este plantel dá mais que isto, pode providenciar melhores condições aos nossos heróis, mas precisa é de trabalho táctico. Rui Vitória não o tem para dar... ou então não consegue dá-lo. Pode tentar mascarar-se com propaganda, tentar tapar o Sol da incompetência com as peneiras da "atitude" e do "coração", mas as evidências estão lá para quem as quiser ver: este treinador não tem capacidade táctica para montar uma equipa do Benfica e serão os próprios jovens, que deveriam ser um dos seus "produtos", os mais prejudicados.

 

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

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rematado às 08:19


E se for essa a intenção? É proibido no Benfica?

por Admirador do Isaías, em 28.10.15

O “Record” noticia na edição desta quarta-feira que as críticas que o vice-presidente do clube Rui Gomes da Silva dirigiu à estrutura do Benfica caíram mal no seio do clube. De acordo com o jornal desportivo, fontes internas do clube acusam Gomes da Silva de ter “agenda própria” e “falta de solidariedade” para com a instituição.

O vice-presidente encarnado, comentador residente no programa de comentário desportivo da SIC Notícias “O Dia Seguinte”, teceu esta segunda-feira críticas fortes à estrutura do clube da Luz. No espaço de comentário, no rescaldo da derrota do Benfica diante o Sporting, na Luz (0-3), Gomes da Silva falou da “guerra aberta” entre a estrutura benfiquista e o antigo técnico Jorge Jesus, quando apontou um “aburguesamento da estrutura” como sendo o principal problema do Benfica.

Deixando Luís Filipe Vieira fora do lote de visados, por considerar que o presidente do clube demonstrou no caso do Apito Dourado “ser dado ao combate”, o comentador frisou que as suas críticas se focam na falta de reação do Benfica aos últimos ataques por parte do rival Sporting: “Não havendo resposta nem conflitualidade, a estrutura do Benfica está a dizer que podem fazer o que quiserem de nós”.


Uma preparação da candidatura à presidência do Benfica

As reações não se fizeram esperar. De acordo com as informações apuradas pelo “Record”, o presidente dos encarnados já se mostrou “desiludido” com as declarações do seu vice. Já Gomes da Silva terá rapidamente reconhecido que foi “longe de mais” no seu comentário de segunda-feira à noite, prometendo um esclarecimento na próxima edição do programa.

Ainda segundo o jornal desportivo, os responsáveis benfiquistas terão visto as críticas de Gomes da Silva como uma forma de “chegar aos adeptos” na preparação para a corrida à presidência do clube, que vai acontecer no próximo ano.


- http://expresso.sapo.pt/desporto/2015-10-28-Benfica.-Rui-Gomes-da-Silva-acusado-de-ter-agenda-propria

 

E se o objectivo de Rui Gomes da Silva for, de facto, candidatar-se e apresentar-se como alternativa? Estamos no FC Porto, é? Parece que sim: os opositores a Vieira foram todos afastados, ridicularizados ou, pior ainda, absorvidos com um lugar na estrutura ora do clube ora da SAD. Depois alteraram-se os estatutos para proteger Vieira de qualquer jovem que ele não tivesse visto. As Casas do Benfica aparecem como cogumelos, tendo 50 votos cada uma, sendo certo que votarão em quem as promove e protege, naturalmente. Quanto mais Casas Vieira lançar, mais votos terá.

 

Qual é, então, exactamente o problema que Vieira tem com a crítica entre os seus pares? Por a crítica ser pública? Mas o Benfica É público. Seja como empresa, seja como clube, o Benfica é de todos nós, é um símbolo. Há mais algum clube que tenha no seu espírito, na sua forma de existir, mais pluralidade que o Sport Lisboa e Benfica? Pluralidade na origem dos seus adeptos e nas suas opiniões, há algum que tenha mais? Basta dar uma vista de olhos pela blogosfera Benfiquista para nos apercebermos das mais diversas opiniões. Isto é a ALMA do Benfica a funcionar. Quanto mais Luís Filipe Vieira procurar ser um Pinto da Costa no cadeirão do Glorioso, mais anticorpos gerará entre os Benfiquistas verdadeiros. É que ter "salvo" e ajudado o clube tem mérito, mas está feito. Serviu o clube no que o clube precisou. Agora o clube precisa de outra coisa, claramente, e deve procurá-la. Não concorreu Vilarinho no seu lugar contra Vale e Azevedo para "salvar" o Benfica? Pois bem, o Benfica precisa agora de ser "salvo" outra vez, mas desta feita do "benfeitor" que não sabe quando o seu trabalho terminou.

 

Não sei se Rui Gomes da Silva seria uma boa alternativa a Vieira para aquilo que o momento do clube pede. Não sei se é o homem certo para reestruturar o futebol, por forma a pô-lo a funcionar com base na formação excelente que Vieira foi capaz de montar. Não sei se é ele que vai conseguir criar condições de conforto suficientes para que um treinador competente possa ter sucesso. Não sei se é ele o homem certo para escolher o treinador certo, sequer. Não sei, também, se é ele quem conseguirá manter no mesmo rumo a excelente aposta nas modalidades que o clube tem feito, renascendo o seu eclectismo. Não sei, ainda, se será a pessoa certa para continuar a rentabilizar a BTV e torná-la agora num instrumento de impecável comunicação do clube Sport Lisboa e Benfica, garantindo a independência do clube das "Olivedesportos" deste mundo. Não sei nada disto quanto a Rui Gomes da Silva ou quanto a qualquer outro candidato alternativo.

 

Sei, no entanto, que tem todo o direito de tentar convencer os Benfiquistas que é.

Tanto ele, como outros. Isso é que é o Sport Lisboa e Benfica.

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rematado às 14:21


O nevoeiro de uma reflexão maior

por Admirador do Isaías, em 05.10.15

O jogo entre o União da Madeira e o Sport Lisboa e Benfica foi adiado devido ao denso e persistente nevoeiro. Muitos se insurgiram em relação a tentar jogar-se na Choupana, sim, mas há aqui questões que vão bem mais fundo e que acabaram por se tornar numa reflexão maior.

Em nenhuma liga de elite ocorre o empréstimo dos estádios e não me parece nem coerente nem justo que se recorra a esse meio, excepto em casos de força maior, claro.

Dea Court, Bournemouth - capacidade: 11.700
Dean Court, Bournemouth - capacidade: 11.700


Não vemos o Bournemouth deixar de jogar no pequeno (comparativamente) estádio que é seu historicamente para pedir emprestado um recinto maior quando recebe os grandes clubes da Premier League . Nem é permitido, normalmente, nem é justo que o façam. Investir num clube não é só arranjar uma equipa e tentar competir, é ter infra-estruturas . E se há clube que sempre, ao longo da sua História, teve nos seus sócios a profunda compreensão da importância das infra-estruturas para o crescimento do clube, esse foi o Sport Lisboa e Benfica.

É claro que isso traz-nos a outro ponto importante, relativamente à organização da nossa Primeira Liga: é que esta é suposto albergar a elite do nosso futebol. No entanto temos 18 equipas das quais apenas 10 (e já estou a ser simpático) têm qualidade para jogar futebol ao mais alto nível. As outras vão sobrevivendo, com dificuldade, muito anti-jogo , muito suor, sim, mas pouco futebol.

Numa altura em que a polémica em torno da venda dos direitos televisivos da Liga, promete estalar mais dia, menos dia, deve olhar-se para a redução do número de equipas na nossa Primeira Liga. Elite é elite. Quem lá está merece pelo futebol e não apenas porque é menos mau que os outros que desceram. 10 equipas, digo eu, com 4 voltas, 36 jogos no total. As maiores ligas da Europa têm 38 jogos numa época, não é dramático.

Mais: afirmo que é essencial que se determine quais são os mínimos de condições necessárias para que um estádio seja registado como recinto de um clube da Primeira Liga. Quem não apresenta estádio em condições, não pode participar. Não basta ter equipa, há que ter local condigno para a alojar. Se há aluguer de outro estádio, então esse que seja por toda uma época desportiva, sob a premissa de que o clube em questão terá de encontrar uma solução permanente, se quer permanecer na Primeira Liga.
Adicionalmente, terá, também, de ser proibida a instalação de bancadas temporárias. Bancadas, só permanentes e com as devidas condições.

Se isto acontecesse, ver-se-ia quais são os clubes que estariam dispostos a investir não só na construção de uma equipa que "fosse chegando" para os primeiros dos últimos, mas em verdadeiramente crescer como instituição, como clube de futebol.


Quem não quisesse, teria de contentar-se com, no máximo, a Segunda Liga.

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rematado às 16:03




Admirador do Isaías

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