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Isaías no Benfica!


Primeira Liga 2017/18



Há muito do 30 no 35!

por Admirador do Isaías, em 16.05.16

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica sagrou-se ontem tri-campeão nacional da I Liga, tendo conquistado o seu 35º título.

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.


Intensos como poucos, os adeptos Benfiquistas são, por norma, extremamente supersticiosos e preservam, com ou sem vontade, com prazer e com sofrimento, muitos fantasmas da História do seu clube. Esta comparação que aqui farei, apesar de positiva, não deixa de pertencer à categoria dos fantasmas, pois as boas memórias (como a do 30º em 1993/94) que os Benfiquistas guardam são, também, como se viu até 2004/05, uma assombração quando surgem distantes no tempo.

 

Muitos Benfiquistas, crentes na vitória final neste campeonato, particularmente a seguir à vitória em Alvalade, não deixaram de temer outro "fantasma", o de Kelvin há 3 anos, por exemplo, ainda que o escondessem em gritos de apoio a esta equipa que acabou por fazer História.

 

Este 35º tem, assim, muitas semelhanças com o 30º, conquistado em 1993/94, ainda que com as devidas diferenças, obviamente. Em primeiro lugar, em 93/94 o FC Porto estava mais forte, tendo mesmo roubado o segundo lugar ao Sporting no sprint final. Depois, ao invés de dois jogadores importantes terem rumado a Alvalade, foi sim o treinador bi-campeão, muito querido entre os adeptos por motivos que já enumerei anteriormente, a partir para o Sporting e o vice-capitão, com oito épocas de Águia ao peito, a rumar ao FC Porto. Também importante diferença é a situação financeira entre as duas épocas: no 30º, o Glorioso começava a sentir um afundamento que, como não foi invertido, muito pelo contrário, por Manuel "Coveiro" Damásio (por muito que seja convidado a aparecer em eventos do Benfica, jamais se livrará da memória do que fez de mal ao nosso clube - outro dos "fantasmas" que mencionei), provocou um naufrágio que durou uma década.

Foi, por isso, e em semelhança ao campeonato da época 1993/94, uma vitória do Sport Lisboa e Benfica perante um intenso ataque dos seus rivais, com as diferenças contextuais apontadas.

 

 

Rui Vitória começou mal a época. Sim, muito por culpa da pré-época desastrosa com as malas às costas no continente Americano, mas também devido a não ter sabido, na altura, exorcizar dos seus jogadores, dos adeptos e, talvez, de si próprio, o fantasma de Jorge Jesus, que teimava em subsistir nas sombras do mundo Benfiquista como um papão. Benfiquista como é, Rui Vitória deveria ter tido a noção do que é a mentalidade Benfiquista e do seu inconsciente apego aos "fantasmas". Em sua defesa se deve apontar a sua falta de experiência no contexto de um clube da dimensão do Benfica, sendo que a estrutura do clube lhe deveria ter proporcionado essa ajuda, o que não aconteceu. Vitória permitiu, pelo seu relativo silêncio e discurso repetitivo, que o seu trabalho estivesse sempre refém das impressões digitais do seu antecessor.

As ideias de Rui Vitória são diferentes das de Jorge Jesus. O facto de ambos terem optado por um 4-4-2 no Benfica, não as torna semelhantes, de todo. Nenhum dos dois inventou esse esquema táctico, nem tão pouco o jogo interior dos extremos que acabou por impulsionar a equipa para uma classificação nunca vista. Com Rui Vitória viu-se maior controlo emocional nos diversos momentos de jogo, maior cautela, maior pragmatismo num futebol mais prático (assim que os fantasmas foram, por fim, exorcizados). Viu-se também uma preocupação, de base, em utilizar o trabalho de muitos anos que se tem feito no Seixal - ponto fundamental para a sua contratação.

Rui Vitória foi criticado - e com razão! - no momento em que precisou de o ser, porque o Benfica é exigência, uma casa onde se aprende vencendo perante os rivais mas também perante as limitações próprias. É agora - e com grande mérito! - elogiado pela extraordinária liderança que conseguiu impor de forma calma e convicta, levando a equipa à vitória final.

A semelhança desta 35ª conquista do campeonato nacional com a 30ª reside no ataque sem tréguas do Sporting que, uma vez mais, tal como em 1993/94, tendo derrubado o seu odiado rival no primeiro assalto, tratou de o querer humilhar, de se regozijar com a conquista que ainda não tinha atingido. O 0-3 na Luz aplicado pelo Sporting, perante as exibições do Benfica que a antecederam tão manchadas pela dúvida em relação ao valor de tudo o que envolvia a equipa, em particular Rui Vitória, foi esse tal momento do knockdown (utilizando linguagem do boxe).

«Está ganho!» - ouviu-se do outro lado da 2ª Circular. Essa curta ideia após a vitória na Luz acabou por servir o propósito de (consegue perceber-se agora, à distância) retirar de Rui Vitória o peso da expectativa por parte dos adeptos e deixá-lo trabalhar as suas ideias "em sossego". Aos poucos e poucos, o Benfica lá ia ganhando, melhorando aqui e ali, fazendo exibições excelentes como a de Madrid, alternadas com a pobreza na Madeira diante do União.

Foi, no entanto, na conferência de imprensa de resposta às "postas de pescada" em que foi acusado de "não ser treinador", que Rui Vitória tomou, finalmente, as rédeas da equipa, exorcizou das suas mentes Jorge Jesus e uniu os adeptos à sua volta. A partir daí, só o FC Porto travou este Sport Lisboa e Benfica a nível nacional, na melhor exibição da época da equipa azul e branca, colocando um carácter decisivo estampado no jogo de Alvalade.

 

Neste momento, devo lembrar que o Sporting teve 8 pontos de avanço sobre o Benfica, a dada altura. 8 pontos de avanço e perderam 10, 3 dos quais nesse jogo em Alvalade. Mesmo se excluíssemos os erros de arbitragem que favoreceram o Sporting (e não foram poucos, até fora de campo, como o caso "Cotovislam" Slimani), que justificação sobra aos responsáveis pelo Sporting, e a Jorge Jesus em particular, para a perda de 10 pontos de uma super-equipa como o treinador disse que a sua equipa era? E isto sem contar com as falhas de arbitragem que favoreceram o Sporting! Será que Bryan Ruiz não tem qualquer responsabilidade na perda desses pontos, falhando dois golos no derby, um de forma escandalosa? É que os adeptos do Sporting devem entender (e muitos entendem-no, há que dizê-lo) que quando os Benfiquistas criticaram Rui Vitória, fizeram-no com o mesmo amor ao clube que quando agora o elogiam - ou seja, é na identificação das responsabilidades próprias que reside a força para se transformar uma derrota em vitória. Nunca os Benfiquistas no geral se focaram no Sporting (por muito que os responsáveis do emblema do leão o quisessem e tentassem, pela provocação), mas sem dúvida que o Sporting se focou inteiramente no seu ódio irracional ao Benfica e, em particular, nas vitórias da Supertaça e no 0-3 na Luz. O 0-1 em Alvalade foi, mais que um balde de água fria, uma reviravolta emocional no campeonato. Do «Está ganho!» passou-se ao «somos a melhor equipa» e «eles têm sorte».

 

A cada vitória do Benfica na longa caminhada entre Alvalade e a 34ª jornada, o desespero leonino foi crescendo, por perceberem que tinham dado, uma vez mais, historicamente, um tiro no próprio pé - tal como em 1993/94 com Sousa Cintra e o despedimento de Bobby Robson. Imagine-se se nos anos 90 houvesse Facebook e os jornais online como agora. Sim, Sousa Cintra teria feito algo parecido a nível de comunicação contra o Benfica, não tenho dúvidas.

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A postura de Jorge Jesus na conferência de imprensa a seguir ao jogo em Braga fez-me lembrar a de Sérgio Conceição no final da Taça de Portugal do ano passado: incapazes ambos de reconhecerem os erros próprios e os méritos dos adversários. É que Sérgio Conceição perdeu no Braga que orientava uma Taça de Portugal perante um Sporting que acreditou mais e soube ser humilde no jogo, tal como Jorge Jesus perdeu no Sporting um campeonato diante de um Benfica que soube ser prático e humilde durante a totalidade da maratona. Ainda por cima, Jorge Jesus saiu cedo das competições europeias e com resultados pouco dignos para um clube Português, muito menos para um da dimensão do Sporting. Jesus continua, portanto, refém de si mesmo: é dele o mérito, ganhe quem ganhar. Burro velho não aprende truques novos. É pena, porque poderia ser um dos melhores da Europa, mesmo tendo chegado tarde ao futebol de topo. Só que os jogadores sentem isto tudo, por muito que queiram ser profissionais - eles sabem que, para Jorge Jesus, só contam se lhe derem êxito. Fora isso, são meros joguetes nas suas mãos.

Rui Vitória, por seu lado, teve todo o direito, ao contrário do que alguns afirmaram, de dar uma resposta que até podia ter sido mais contundente ao treinador do Sporting que o tentou humilhar ao fim do primeiro assalto. "Quem não se sente não é filho de boa gente" e muito já o homem que existe por detrás da máscara do profissional de futebol teve de suportar. O seu comentário, lançado com a mesma serenidade de (quase) sempre na direcção do rival, foi um coup de grâce ao orgulho do seu homólogo rival, inteiramente merecido por este. Rui Vitória foi campeão com uma pontuação Histórica, sem Matic, Enzo Pérez, Cardozo, Di Maria, Saviola, Aimar, Garay ou Witsel. Foi campeão sim com Nélson Semedo, Renato Sanchez, Lindelöf, Gonçalo Guedes, Éderson e até, porque não incluir, Nuno Santos, Jovic e Clésio. Com este treinador, os jogadores sentiram-se o centro do jogo, o centro da equipa. O mérito sempre lhes foi atribuído.

Por muito que se possa apontar a Luís Filipe Vieira, ele é reconhecidamente, pela sua aposta ganha, o arquitecto do 35 e do tri-campeonato. Até o seu mais recente opositor o reconheceu, antes de terminar o campeonato e de se saber o resultado final da prova, que não faria sentido candidatar-se contra o actual presidente.

 

Com tudo isto, tenho de dizer que o Sport Lisboa e Benfica conquistou esta época, para o seu rol de fantasmas, mais um: da próxima vez que estivermos por baixo e nos quiserem humilhar, lembrar-nos-emos de 2015/16 e do célebre 35 conquistado por Rui Vitória.

 Que seja o primeiro de muitos!

 

Não sendo apreciador do estilo musical em si, penso que esta canção define muito do que foi a história deste campeonato:

 

E porque não terminar com um sorriso? :-)

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Actualização 16/Maio/2016, 21.23h:

Video que resume esta época, os altos e baixos, elaborado por Guilherme Cabral.

 

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rematado às 14:06


Grande Petit sem hipótese

por Admirador do Isaías, em 15.03.16

Quanto mais distantes ficam da salvação, mais os jogadores do Tondela entram em descrença. O grupo de jogadores não está ao nível da I Liga, é certo, mas com certeza que os verão produzir mais, logo que o veredicto esteja lançado e seja matematicamente impossível escapar à descida. Questões de arcaboiço emocional.

 

O nosso grande Petit, cuja saída extemporânea do Boavista é para mim ainda um mistério, veio agarrar um projecto sem pernas para andar ou, pelo menos, só podendo andar com pernas que não estas.

 

O Benfica não necessitou de se empenhar para vencer confortavelmente, pese os amarelos desnecessários de Jardel e Mitroglou (se bem que não me convenço que o do Grego não fosse propositado, pensando em "limpar" no Bessa). Jonas acrescentou mais dois à sua conta e só não será o melhor marcador este ano se for permitido ao Slimani passar a marcá-los com os cotovelos... e mesmo assim...

 

Mantivemos a liderança e ultrapassámos mais uma barreira. Juntos até ao fim, altura em que se farão as contas a esta interessante e completamente atípica época.

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

NOTA: Quanto às insinuações de Inácio acerca de Júlio César, enfim... só espero que os assalariados ao serviço de Bruno de Carvalho se mantenham nessa toada "peixeira". É que mesmo que fosse verdade, acabaram por unir ainda mais, como as declarações de Jorge Jesus já o tinham feito em relação a Rui Vitória. Pelo "peixe" lhes morre a boca - já ninguém os levará a sério quando se tratar de algo mesmo sério e grave.

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rematado às 13:52


Como varas verdes

por Admirador do Isaías, em 07.03.16

Tinha deixado escrito, no artigo anterior, que seria a pressão a decidir este campeonato. Bom, para já, foi sem dúvida a pressão que decidiu o Sporting - Benfica de sábado. Tendo a iniciativa de jogo, até forçada sobre os jogadores, parecia, a equipa do Sporting nunca foi clarividente o suficiente para poder afirmar que dominou o jogo e que foi "tiro ao boneco".

Longe disso.

A equipa do Benfica apresentou-se organizada, pragmática e concentrada. Cometeu poucos erros e num deles ia quase sofrendo o empate. Teve sorte? Pois claro que teve. No entanto, "A sorte dá muito trabalho", como se diz por aí hoje em dia. Muito trabalho, dedicação e humildade confiante.


Disse Jorge Jesus que o Rui Patrício não fez uma defesa. Tem razão, de facto: o toque subtil do enorme jogador Mitroglou teve tanta classe, que o pseudo novo Victor Damas (como se Rui Patrício chegasse sequer aos calcanhares do enorme rival de Eusébio) só se pôde sentar para melhor assistir à comemoração. Não fez uma defesa porque não há como defender o indefensável.


Disse Jorge Jesus também que o Benfica venceu sem saber como. Talvez a imprensa tenha, de novo e como sempre (por estar sempre contra o Sporting - assim o afirma quem diz que sabe), deturpado ou entendido mal as palavras do futuro treinador do Real Madrid (ou será FC Porto, afinal?). Provavelmente Jorge Jesus, resignado com a derrota e com a inabilidade da sua equipa em dominar o jogo em sua casa (como as estatísticas abaixo revelam) e frustrado com a inabilidade dos seus jogadores em lidar com a pressão que o seu próprio presidente colocou sobre os seus ombros, terá dito: «O Benfica ganhou. Sem saber, como.», ou seja, terá assumido a derrota e admitido que, sem dispor de "saber", tê-la-á comido ele mesmo. É bem possível que afinal essas declarações mal entendidas sejam afinal mais uma campanha da comunicação social contra o Sporting.

A realidade, contudo, é que neste momento o Sport Lisboa e Benfica está na luta, quando esteve arredado em finais do ano passado. Tudo devido à pressão de uns que muito falam (e que quiseram pontapear o seu rival quando este esteve caído no chão) e à ausência desta dos que foram dados como mortos (até por mim!). A realidade é que o clube de Alvalade, com a pressão de si próprio, treme como varas verdes.

Estou seguro que ainda não foi desta, contudo, que o Sporting Clube de Portugal aprendeu que a Glória não se obtém por decreto: CONQUISTA-SE!

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

Nota 1: Penso que o Sporting deve punir Bryan Ruiz com severidade. Ter-se deixado subornar com um mero voucher para o Museu da Cerveja e um kit Eusébio é indigno. Só assim se explica ter falhado este golo cantado, certo? É que se houve um erro contra o Sporting, foi orquestrado pelo Benfica, decerto!

Nota 2: Ou então a astúcia e planeamento persecutório ao Sporting Clube de Portugal, perpetrado pelo Sport Lisboa e Benfica vai ao cúmulo, como este Benfiquista parece quer revelar:

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Afinal, é certo que os adeptos leoninos já a viam "toda lá dentro" quando afinal ficou bem fora.

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rematado às 08:45


Pressão

por Admirador do Isaías, em 01.03.16

Como quem acompanha o futebol (não só a Liga Portuguesa, mas outros campeonatos por essa Europa fora também) sabe, quem define o objectivo de ser campeão não pode vacilar com as equipas de menor valor que a sua. Os encontros entre "iguais" são sempre uma incógnita, muitas vezes repletos de surpresas e desenlaces inesperados, mas os encontros perante equipas de menor capacidade futebolística são os que definem, em grande parte das vezes, os campeões finais. Sempre defendi isto: de que serve ganhar derbies ou clássicos se se perdem pontos com quem se tinha a obrigação de vencer?

 

Quem viu o Benfica do início da época (depois do desastroso planeamento da pré-época) e quem o vê agora, percebe que são duas equipas distintas. Aliás, corrija-se, um era um conjunto de jogadores e este agora, uma EQUIPA, unida pela vontade de Vitória (o objectivo e o treinador, simultaneamente). Um Benfica que conseguiu construir um estilo de jogo que tem dado e dará muito poucas hipóteses a equipas de menor valor que o seu. Tem cumprido a sua quota, tem feito a sua obrigação e não mais se sentiu abalado.

 

A isto, não é estranho o factor pressão. É que depois de perder por três golos na Luz com o Sporting, o Benfica tinha tudo a reconstruir. O Sporting, por seu lado, tinha tudo a provar - é que não basta golear o Benfica para ser campeão. O Presidente do clube de Alvalade sabe (e disse-o) que encontrou um clube sem mentalidade vencedora. No entanto, por não ser (considero-o eu, opinião pessoal) uma pessoa muito inteligente (compensando essa lacuna com emotividade, demasiadas vezes, pueril), Bruno de Carvalho tem colocado sobre o seu clube, sobre si, sobre o treinador (que já de si tem a pressão de ter vindo directamente do maior rival) e sobre o plantel, toda a pressão de ter de provar o seu valor (por muito que para Jesus isso sejam "peaners").

Note-se: até Dezembro, o Benfica tinha o campeonato perdido. Só podia trabalhar para melhorar o seu jogo e tentar qualquer coisinha que salvasse a época. O Sporting tinha a vela içada e navegava pelo campeonato como se já fosse Maio. Só que um tinha pressão e o outro não. Tal como a recente recuperação do Porto demonstra, este será o factor decisivo neste campeonato: a pressão. O Sporting escolheu mal a sua estratégia emocional, pois, como afirmei na altura em que Jesus foi confirmado em Alvalade, nunca iria ter um plantel esta época para ser campeão "de caras" - e o facto é que não o tem.

 

Ontem o Benfica cumpriu, diante de um União da Madeira que lhe roubou dois pontos e três ao Sporting, mais um passo do seu caminho, sem pressão. O Sporting, por sua vez, terá ainda dez jogos pela frente em que jogará contra o adversário da jornada e contra si mesmo, a sua emoção e o seu incontrolável (ou descontrolado neste momento, direi) desejo de ser o que o Benfica é - tal como escrevi certo dia, é um síndrome de "destino roubado". O Porto, que regressou à luta em plena Luz, dá a ideia de estar a correr algo coxo, sim, mas vai conseguindo acompanhar o ritmo do pelotão, à espera de uma oportunidade: saberá agarrá-la, se surgir?

 

Tudo se irá decidir com o factor pressão.

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

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rematado às 08:10


Fim de linha

por Admirador do Isaías, em 26.10.15

Houve tolerância, houve tempo, houve espaço. Não foram respondidas com competência, nem tão pouco com vontade. A resposta foi um amorfismo, um 4-2-4 e pontapé para a frente quando não nos deixam sair a jogar como lhe parece bem no papel. Já o cérebro tinha dificuldade com isso, é certo, mas ao menos tinha algum tipo de estratégia para tentar tornear o problema. Rui Vitória perdeu hoje o crédito perante os adeptos do Sport Lisboa e Benfica porque demonstrou que nem sequer um plano A consegue implementar bem e competentemente, quanto mais ter um plano B. A equipa ora demonstra não ter estratégia (saber o que fazer à bola e que movimentos encetar perante o que lhe vai aparecendo) ou ter frequentemente demais a estratégia errada (pontapé para a frente).


Eu já tinha criticado Rui Vitória e já o tinha elogiado, em ambos os casos, meritoriamente. No entanto, aquilo que se viu ontem, naquele que era O JOGO e não apenas mais um derby, foi pior que a primeira parte do jogo com o Estoril ou que o jogo com o Arouca ou que grande parte do jogo com o Moreirense. Foi pior porque não houve sequer um plano para contrariar a única, repito, ÚNICA forma que Jorge Jesus sabe pôr as suas equipas a jogar - a questão é que o actual treinador do Sporting o faz COMPETENTEMENTE. Sofre-se um golo pela ausência de apoio defensivo no meio campo, provocando erros a sair a jogar! Sofre-se outro permitindo todo o tempo do mundo a um jogador para chegar primeiro a uma recarga, quando tinha de estar o lateral direito nas imediações, precisamente para cobrir a zona do guarda redes! Incompetência em situações BÁSICAS!


Quando a primeira palavra de Rui Vitória após o jogo não é "perdão", perde todo o crédito perante os Benfiquistas. Devia ter pedido perdão às dezenas de milhares de adeptos e sócios que pagaram bilhete para encher a Luz e aos milhões de adeptos e sócios em Portugal e pelo mundo fora que assistiram ao jogo pela BTV ou através do "canal Inácio" - todos eles amam o Benfica e reservaram as suas almas e corações para aqueles 90 minutos!


Não aceito que me falem na arbitragem (apesar de ser certo que não foi assinalado um penalty ainda com 0-0) quando a produção da equipa foi zero. Pontapé para a frente em disposição 4-2-4 com linhas, ainda por cima, bem afastadas, é igual a zero futebolisticamente. Se era esta a ideia de jogo, então porquê Mitroglou no banco? Se era para o pontapé para a frente, porque ter o melhor cabeceador e o jogador de maior robustez física no banco? Nem isso?

 

Não aceito que me falem em mau plantel porque temos jogadores para não sair goleados em casa com uma equipa que empatou com Paços de Ferreira e Boavista. A questão de fundo é o vazio estratégico e táctico, não a qualidade dos intervenientes que, podendo sempre ser bem melhorada, é mais que suficiente para muito, MUITO melhor.


A vitória em Madrid foi uma oportunidade de ouro que o treinador teve de conquistar o grupo, puxá-lo para si, para mais competentemente transmitir as suas ideias. Foi uma oportunidade falhada, vê-se, naquilo que foram os jogos na Turquia e, agora, no derby.


No entanto, a minha crítica a Rui Vitória não esquece as circunstâncias em que chegou ao clube. Não esquece a responsabilidade de Vieira. Tal como escrevi durante este verão quente, urge que surjam alternativas válidas a Vieira para as próximas eleições, dado que ele é incapaz de entregar a autonomia da pasta do futebol a quem realmente é competente e percebe da poda. Não consegue porque tem muito a ganhar com o futebol do Benfica. Valorizar o Seixal? Excelente ideia, mas só depois de se retirarem os interesses todos que de lá comem, incluindo ele próprio.
Mais que uma alternativa a Rui Vitória, que urge, há que encontrar uma alternativa a Vieira ou que o próprio Vieira encontre, para o futebol, uma alternativa a si mesmo (como quando José Veiga tomou conta da pasta e trouxe Trapattoni, para nos dar o primeiro título pós coveiro Damásio).


A História do Sport Lisboa e Benfica é feita de trabalho, competência e coração. Perder um Benfica-Sporting é sempre possível e acontece. Perder sem trabalho (ausência de estratégias para contrariar o adversário), competência (incapacidade para impor qualquer tipo de ideia activa na partida) e coração (o desequilíbrio emocional revelado pelos jogadores) é imperdoável e inadmissível. Não, não estou clamando "a quente", nem tão pouco precipitado. O melhor Rui Vitória demonstra ser pior que Camacho, Koeman, Fernando Santos, Quique Flores e que a pior versão de Jorge Jesus. O mérito de Madrid, que podia ter usado como alavanca para si mesmo no clube e perante os jogadores, esgotou-o ontem, mesmo que demore a época toda a sair, pois demonstrou ter sido um resultado ao acaso e não fruto de um trabalho competente.

Ainda assim, repito, ele não deve ser o bode espiatório de Vieira que, na minha opinião, sabotou deliberadamente o futebol do clube em prol do seu poder e dos seus negócios.

Inaceitável: Fim de linha, para um e para outro!

 

 

  Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

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rematado às 08:33


"E quem não salta é Lampião!"

por Admirador do Isaías, em 10.08.15

Foi cantando a frase apresentada no título deste artigo que o Sporting, tendo ganho limpo ao Benfica no jogo jogado em campo, diga-se, festejou a conquista da Supertaça. Vimos um Sporting a jogar à Benfica, sem dúvida, e foi para isso que o treinador Jorge Jesus foi contratado - ele é, sem dúvida, um grande treinador de campo, um "montador de equipas", com o seu modelo funcional. Uma vez mais, o Sporting festeja não uma conquista sua, mas uma conquista ao Benfica: Foi buscar o treinador ao Benfica, para pôr a equipa a jogar à Benfica, para ganhar ao Benfica.

Só que, há que admiti-lo, percebo hoje que Jesus encaixa muito melhor no Sporting do que alguma vez encaixou no Benfica. É que também ele, tal como o clube, vive a obsessão pela grandeza do Glorioso - ainda para mais, tendo passado cá seis anos, tendo-a visto e sentido na primeira pessoa. Todo o seu discurso, desde que chegou ao Sporting, tendo vindo directamente do Benfica, foi alinhado com a atitude mental "do pior que há no Sporting" - assim apelidava o meu falecido pai, Sportinguista de gêma, a relação de inveja do Sporting em relação ao Benfica, causada pelo sentimento do que o Sporting "devia ter sido". O Sporting foi criado com a ideia de ser grande, "ao nível dos maiores da Europa", mas foi o Benfica que foi conquistando esse estatuto pelos campos jogados, deixando a equipa de Alvalade com um ressentimento de "destino roubado".
O meu pai, que representava uma estirpe quase extinta de Leões, foi sempre respeitador do Benfica (mesmo quando os filhos, ambos Benfiquistas, por infantilidade própria de certas idades, gozaram com as suas derrotas). Ele respeitava o Glorioso porque sabia que não bastava querer ser o maior, havia que realmente sê-lo. Ele sabia que nenhuma das vitórias do Benfica tinham sido um "destino roubado", pois elas significaram apenas que o Sporting não tinha sido suficientemente competente para vencer. Esta visão colocou-o algumas vezes em colisão com outros Sportinguistas, incapazes de assumir que, Historicamente, o Sporting fora, no geral, menos competente que o Benfica no "ombro-a-ombro". E foi, é e será essa rivalidade o que empurra o Benfica para a vitória, não se duvide - não no sentido de bastar "ganhar ao Sporting" (ao contrário do que se tornou referência mental para parte dos Sportinguistas actuais: bastar "ganhar ao Benfica") - mas no sentido de querer ser o melhor e por isso vencer os adversários e as adversidades, ou seja, superar-se.

Jorge Jesus, que nunca escondeu ser Sportinguista, demonstrou pertencer àquela parcela de mentalidade que diminui o clube de Alvalade para uma dimensão de, por exemplo, um Belenenses (e se os tempos fossem outros, não seria de admirar ver Jorge Jesus, à semelhança de Artur José Pereira, daqui a uns tempos pedir ao Sporting para sair, por forma a fundar o seu próprio clube...). Ele menoriza o clube pois coloca a sua figura acima deste, afirmando que agora é que o Sporting é candidato ao título (com ele) e que tudo o que existe agora no Benfica foi criação dele (o que não é afirmação nova, como o Braga bem sabe). Da mesma forma que me senti envergonhado, sinceramente, quando Jesus diminuiu o Benfica com as mesmas afirmações em relação ao Braga, os Sportinguistas deveriam compreender o que estas palavras querem dizer em relação ao seu clube. Só que, se Jorge Jesus for apresentando resultados, isso passará para segundo plano no universo dos adeptos do Sporting... até ao dia em que o ego de Jesus, o soberbo, considerar que o clube que lhe deu condições, estabilidade e dinheiro ficou para trás em comparação com o reflexo da sua imagem no espelho. De facto, para diminuir mais ainda o Sporting, só faltou a Jesus, que ainda há parcos meses festejava o Bi-Campenato entre Benfiquistas, saltar enquanto cantava com os adeptos do Sporting "E quem não salta é lampião!". Ah, mas conseguiu fazer ainda pior, é verdade. Conseguiu provocar Jonas e esperar que ele levasse "na brincadeira" porque, afinal, tinha sido Ele, Jorge Jesus, o Maior, a "cumprimentá-lo". Ora digam-me lá se a palmada que se vê nas imagens e o "qu'é q'foi?" característico de Jesus é qualquer outra coisa que não uma provocação:


Jonas aguentou-se, ciente das câmaras, mas não se ficou, aparentemente:

http://rr.sapo.pt/bolabranca_detalhe.aspx?fid=47&did=195799

Se tudo fosse ao contrário, se o treinador que passara seis anos no Sporting tivesse assinado pelo Benfica e vencido a Supertaça, será que a Sporting TV passaria a sua conferência de imprensa a seguir ao jogo? Pois, se calhar não, especialmente com Bruno de Carvalho. Um dos pontos positivos da BTV neste "pós-jogo": foi absolutamente imparcial e profissional.

E da bola? Bom, falando da bola, perdemos com justiça. Houve um golo mal anulado para um lado, um penalty por assinalar para o outro e ainda um "chouriço" a fazer a diferença, mas foi sempre o Sporting que revelou mais argumentos futebolísticos. O Benfica podia ter ganho até, note-se, mas foi daqueles jogos em que o vencedor foi quem jogou melhor. O Benfica tem muito trabalho pela frente, muitas mudanças a fazer no seu estilo de jogo, se quer de facto competir com a grandeza do seu passado.
No entanto, nem tudo foi negativo: Nélson Semedo ganhou a titularidade. Lizandro colocou um problema a Jardel e Luisão, afirmando-se. Pouca consolação, mas importantes notas para a época que agora começa.


Penso que Rui Vitória deverá impôr as suas ideias e largar de vez quaisquer fantasmas que os jogadores possam ter em relação ao sistema que costumava ser de Jorge Jesus. Que jogue em 4-3-3, como gosta, ou 4-2-3-1. O 4-4-2 pode ser recurso de ocasião, com resultados desfavoráveis, mas penso que deve haver por parte do treinador do Benfica, nesta fase, uma imposição total das suas ideias e cortar de todo com o que possa ainda assombrar o jogo da equipa já tão ferida por este defeso.
É certo que num 4-3-3, Jonas terá de ficar no banco (por muito que custe), sendo Mitroglou o ponta-de-lança com características para fazer jogar o ataque, sozinho lá na frente. Neste esquema, será essencial um transportador de bola, pelo que seria positivo não descartar Djuricic, pois Pizzi não cumpre essa função tão bem. Talisca é hipótese, mas tem de se expôr ao jogo, pedir a bola, e não andar escondido.
Em 4-2-3-1, Jonas pode jogar atrás de Mitroglou e transportar a bola, sendo não só um segundo ponta de lança, como uma referência para o início das jogadas de ataque com bolas rente à relva, lateralizando depois para as investidas dos alas. Se for esse o caso, é ainda importante que seja Pizzi e não Samaris, a jogar ao lado de Fejsa, para garantir a inversão do triângulo do meio campo logo que se parte para o ataque.
Há também a possibilidade 4-2-2-2, que foi testada e funcionou em 45 minutos contra o PSG, mas esse esquema pressupõe a manutenção de Gaitán ou a aposta assumida em Djuricic (e/ou Taarabt, assim que esteja em forma). É fundamental também um lateral esquerdo que dê profundidade e alternativa no ataque, defendendo também com competência!

Enfim, tudo conversa de "treinador de bancada".

O que se exige a Rui Vitória é que monte uma equipa competitiva, que honre a camisola e o peso histórico que representa. Ajudará se ele se impuser e cortar de vez com o fantasma Jesus dentro do próprio balneário. Terá ele personalidade para o conseguir?

 

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.

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rematado às 10:17


Jorge Jesus no Sporting: Cui Bono?

por Admirador do Isaías, em 04.06.15

A expressão latina cui bono? - às vezes também expressa como cui prodest? - significa literalmente "a quem beneficia?" e é usada tanto para sugerir um motivo oculto quanto para indicar que o responsável por algo pode não ser aquele que, a princípio, parece ser. Geralmente a expressão é usada para sugerir que a pessoa ou pessoas culpadas de um crime devem estar entre aqueles que têm algo a ganhar com ele. Aplica-se na investigação criminal, sugerindo que a descoberta de um possível interesse pode servir para descobrir o culpado do delito.
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Cui_bono%3F

O impensável aconteceu mesmo. Dou a mão à palmatória, pois fui dos que não creram no desenho que parecia formar-se. Jorge Jesus mudou do Sport Lisboa e Benfica directo para o Sporting Clube de Portugal.

Não é mistério para quem já me leu que sou fã do trabalho de Jorge Jesus. Mais: penso que ele devolveu uma identidade popular ao clube com o seu jeito de comunicar e tocar numa Portugalidade que é tão imensa como o Benfica. Esta saída significa obrigatoriamente uma reestruturação, mas seria essa a ideia base por detrás do que falhou nas negociações de renovação entre Vieira e Jesus? E como surgem ao Sporting, caídos do céu, investidores que potenciaram esta facada no orgulho e competência Benfiquista?

Afinal, Cui Bono?

Tinha já deixado um alerta, ainda sem me passar pela cabeça que podia ser esta a consequência, de que a proximidade de Luís Filipe Vieira com Pinto da Costa se tratava de um perigo para o Benfica. A instituição usurpada pelo último renasceu apoiada exclusivamente no ódio ao Sport Lisboa e Benfica, fazendo disso a valência das suas forças. Entre os métodos utilizados na altura da ascensão Portista, esteve sempre a cisão entre os dois grandes clubes sediados em Lisboa e o incentivo ao ódio e violência entre os mesmos, deixando o FC Porto folgado para subir passo a passo.
Quando o Benfica e o Sporting guerrearam sob a supervisão do novo Porto, Cui Bono?

Porque haveria o Presidente do Sport Lisboa e Benfica de aceitar um qualquer arranjo com Pinto da Costa seja para o que for? Porque demonstrou tanta cautela e se mostrou tão contido nessa altura Luís Filipe Vieira perante o inimigo número 1 de todos os valores da instituição Sport Lisboa e Benfica?
Luís Filipe Vieira tem esqueletos no armário, segredos e assuntos esquecidos que prefere não ver renascidos em praça pública. Quando se faz um favor a um mafioso, fazem-se todos, pois o primeiro é a salvaguarda para todos os outros.

Correndo o risco de parecer paranóico, postulo que Pinto da Costa terá cobrado um favor a Luís Filipe Vieira: A saída de Jorge Jesus.
Sabendo o líder Portista que Jorge Jesus dificilmente se integraria nas hostes do FCP, tal foi o ódio incentivado pelos seus comandados à figura do treinador do Glorioso, decidiu-se por promover uma facada, um golpe duplo, com que podia, pelo menos por uma época, arrumar os dois grandes de Lisboa e ficar folgado para, com Lopetegui ou mesmo, quiçá, Marco Silva, reconquistar o campeonato. Porquê golpe duplo? Porque Jorge Jesus vai fazer o Sporting melhorar muito mas duvido que consiga, estruturalmente, fazê-lo campeão - e Pinto da Costa sabe-o. E depois porque a saída de Jorge Jesus do Benfica deixa o futebol Benfiquista fragilizado, naturalmente - a não ser que Rui Vitória consiga, em tempo recorde, o milagre da... vitória.
Eis, talvez, sem realmente saber, na altura, o perigo que vaticinei involuntariamente. Exposto o golpe, tudo parece mais claro, digo eu.

Não duvido das competências de Rui Vitória, duvido do seu traquejo, isto é, da sua capacidade de superação, de se erguer ao desafio de estar constantemente sobre escrutínio e saber transmitir e vingar as suas ideias. Duvido, mas isso não quer dizer que não possa estar enganado - e espero que esteja!
Será afinal Marco Silva? Talvez seja ainda uma possibilidade. Mais competente, já testado, com um trabalho bem vincado e coroado numa época neste mesmo Sporting, com um plantel de meio da tabela. Desse duvido menos, mas será sempre um reinício.

Depois, temos o caso de Luís Filipe Vieira. Se falhar o tri, sairá sob enorme contestação. Se calhar foi o acordo a que chegou com Pinto da Costa, sair no fim do mandato.
O problema será, quem depois? O fraco Seara, demasiado ligado a Joaquim Oliveira? O ridicularizado Rui Gomes da Silva? Eis aí, o que poderá ser o xeque-mate do lance de Pinto da Costa quando, se postulo correctamente, deu as suas ordens a Vieira.
Quem o sucede, neste vazio? Ninguém à vista. No entanto, não quer isso dizer que não haja ninguém, credível e forte. Só que o ambiente criado pelos Benfiquistas tem de ser propício a que essa pessoa surja. Não poderá ser de pânico, não poderá ser incendiário. Terá de ser de mangas arregaçadas para levar, de novo, o Benfica ao colo.
Como o fez quando não tinha campo para jogar futebol. Como o fez quando ficou sem jogadores. Como o fez quando tiveram os sócios de construir o próprio estádio.
Se surgirem esses Benfiquistas, o homem certo emergirá. Se surgirem os incendiários, será um dos outros, incapazes de fazer frente aos desafios e ao poder do polvo da fruta.

Nunca perder de vista que, mesmo quando o Sporting aparece animado de aparente força vital própria, o inimigo está sempre por detrás dessa força, para que os dois maiores clubes portugueses jamais se entendam e limpem o futebol.

Aquando da saída de Artur José Pereira para o Sporting (bombástico na altura), Cosme Damião terá dito:
“O Sporting tem dinheiro. Nós temos dedicação. No imediato o dinheiro vence a dedicação. No futuro, a dedicação goleia o dinheiro”

E depois, acerca dessa mesma pré-época, disse:

- publicado originalmente em:

http://em-defesa-do-benfica.blogspot.pt/2014/07/cosme-damiao-e-pre-epoca-191415.html


Perante este ataque, o que podemos fazer é continuar a dedicação do nosso colinho ao Sport Lisboa e Benfica e encontrar soluções... para esta época e, provavelmente também, para o fim deste mandato de Luís Filipe Vieira.

---


Actualização 5 de Junho 8:40h:


Luís Filipe Vieira discursou aos Benfiquistas dizendo-se "desiludido mas não surpreendido" com a atitude de Jesus. Coloca-se na posição de vítima e prossegue a demonização do treinador. Contudo, questiono-me: Se não está surpreendido, se sabia de algo previamente, porque não tentou a renovação mais cedo? Se não sabia, porque diz então que não está surpreendido? Tinha dúvidas quanto ao carácter de Jorge Jesus? Se sim, então porque não acautelou desde logo um técnico de valia superior, ainda com a época a decorrer, por forma a tomar posse mal a época acabasse? Ou para Luís Filipe Vieira, esse técnico superior (pelo menos ao nível de Jesus) é Rui Vitória?
Considero que o Presidente do Sport Lisboa e Benfica tenta atirar areia para os olhos dos Benfiquistas. Há (muito!) mais por detrás de todo este processo. Para mim, não faz sentido de outra forma.


Actualização 5 de Junho 13:48h:

http://observador.pt/2015/06/05/o-que-vieira-disse-de-jesus-aos-deputados/

Segundo este artigo, alguns deputados que jantaram ontem com Luís Filipe Vieira revelaram excertos de conversas privadas que tiveram com o Presidente do Benfica. Acho estranho que tal aconteça espontâneamente, pois seria fácil para Vieira descobrir quem falara por saber o que disse a quem. Nenhum dos deputados, com certeza, quer, politicamente, correr o risco de ficar marcado como um "bufo". Logo, ou a notícia é fabricada à partida, ou as revelações feitas pelos deputados são propositadas e acordadas com Vieira. O certo é que todas elas beneficiam a imagem de Vieira e prejudicam a de Jorge Jesus, mesmo que, enfatizo, sejam baseadas em factos reais ocorridos durante estes seis anos. A meia verdade é, logo à partida, meia mentira, pelo menos.


Actualização 5 de Junho 16:07h:

http://www.publico.pt/desporto/noticia/jesus-parto-com-a-consciencia-do-dever-cumprido-grato-pelo-carinho-1698012

Diz-se que na vida por cada porta que se fecha, uma outra se abre.

Cumpro, este mês, o fim de um ciclo de seis épocas desportivas ao serviço do Sport Lisboa e Benfica, que me possibilitou viver alguns dos momentos mais felizes e marcantes da minha vida profissional... e essas são as memórias que, para sempre, em mim perdurarão.

Ao longo desse período sempre ofereci o meu melhor em proveito do clube, tentando respeitar a sua história e grandeza.
Contudo, todas as épocas têm o seu fim e as instituições são sempre maiores do que as pessoas que ao longo da sua vida por ela vão passando.

Parto, com a consciência do dever cumprido, grato pelo carinho e oportunidade com que fui brindado ao longo deste período.


Este comunicado assinado por Jorge Jesus, escrito claramente por outra pessoa, talvez com o seu aval, em nada adianta o assunto. Palavras parcas e vãs para o que foram estes 6 anos. Se é que foi injustiçado, como alguns defendem, esta era a uma oportunidade para pôr os pontos nos "i's". Ainda terá mais oportunidades para o fazer.
A minha opinião é que ele está perfeitamente ciente do que verdadeiramente se passou e foi agente activo na jogada.


Actualização 5 de Junho 19:58h:

http://ptjornal.com/video-jorge-jesus-e-bruno-de-carvalho-jantaram-juntos-apos-pacos-benfica-41116

Surge o testemunho de uma pessoa, que deu o nome de Alexandre Cardoso, empregado de mesa de um restaurante, indicando que serviu Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, jantando à mesma mesa, na semana da derrota do Benfica em Paços de Ferreira.

Se for verdade, não só Jorge Jesus foi peça activa neste lance bombástico, como se percebe que Luís Filipe Vieira não tinha condições de confiança para manter a relação com o treinador. Outra questão é: quem promoveu este jantar entre os dois, ainda por cima numa semana tão crítica? Porquê arriscarem ambos serem reconhecidos num restaurante, quando bastava encontrarem-se numa casa privada, longe do olhar de qualquer transeunte ou funcionário? Faz sentido este relato?


Actualização 6 de Junho 16:28h:

http://www.cmjornal.xl.pt/desporto/detalhe/benfiquistas_organizam_manifestacao_por_marco_silva.html

Página criada no Facebook, promove manifestação pacífica no Estádio da Luz, para convencer Luís Filipe Vieira a contratar Marco Silva. Será a criação deste movimento espontâneo ou uma forma de justificar a correcção da primeira escolha de Vieira? Interessante será, também, verificar a adesão a esta manifestação.


Actualização 6 de Junho 20:55h:

http://www.record.xl.pt/multimedia/hora_record/interior.aspx?content_id=953345

Record TV faz o seu próprio apanhado do que se passou nas conversações para renovação. Seja verdade, mentira ou mais ou menos, este é o primeiro passo para se abrir a porta à ideia de Luís Filipe Vieira não se recandidatar ou ter como perder as próximas eleições. Interessante, tendo em conta o que especulei neste artigo.


Actualização 7 de Junho 14:46h:

http://www.noticiasaominuto.com/desporto/402205/auto-golos-sao-razao-para-cardozo-rejeitar-sporting#/615/0

Aparentemente a pedido de Jorge Jesus, o Sporting tem começado a encetar contactos por alguns nomes para a estrutura técnica do futebol e também para o plantel. Já houveram várias respostas negativas a tal ideia de integrar a equipa do Sporting, mas talvez a que tenha mais classe, paixão e simbolismo é a resposta de Óscar Cardozo, o melhor marcador estrangeiro do Benfica:

"Sporting? Não gosto de marcar auto-golos"

 

Actualização 8 de Junho 16:38h:

http://www.zerozero.pt/news.php?id=156257

Se se confirmar esta notícia, então Maxi juntou-se, naturalmente, ao rol de figuras que Jorge Jesus pretendia levar para Alvalade. Mais: também terá recusado o FC Porto, o que é deveras importante realçar. Aguardemos pois pela oficialização.

 

Actualização 9 de Junho 08:32h:

http://rr.sapo.pt/opiniao_detalhe.aspx?fid=34&did=189880

Ribeiro Cristovão, jornalista desportivo e conhecido sportinguista, escreveu este artigo deixando sérias dúvidas sobre o procedimento de Jorge Jesus e Bruno de Carvalho. O dinheiro! De onde vem o dinheiro?!

«Jorge Jesus, de férias nos Estados Unidos enquanto não deita mãos ao trabalho está, no entanto, suficientemente tranquilo e confortável. É que o seu advogado, quando abandonou Alvalade, depois de ter confirmado o contrato entre o treinador e o Clube, era portador, além de dois cheques bem nutridos, de 36 garantias bancárias condizentes com os 36 meses a que corresponde a sua ligação à nova entidade patronal.

Sabendo certamente daquilo que havia sucedido a Marco Silva, ou seja o despedimento por justa causa, Jorge Jesus quis prevenir-se antes de ter de (eventualmente) remediar.

Daqui se conclui que o presidente do Sporting aceitou todas as exigências que o seu novo treinador decidiu colocar em cima da mesa.»


Actualização 11 de Junho 10:36h:

http://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/FR56127.pdf

Rui Vitória é oficialmente registado na CMVM como o próximo treinador do Sport Lisboa e Benfica.

Actualização 6 de Julho 08:31h:

Jorge Jesus, entrevistado pela primeira vez enquanto treinador do Sporting, teve, entre outras, duas declarações importantes:

- O Benfica não lhe ofereceu um salário abaixo do anterior, como fora noticiado na comunicação social.

- Resolveu a situação relativa à proposta do Sporting em dois dias, tendo sido contactado apenas após a época terminar.

Pela parte que me toca, apenas a primeira é credível. É óbvio que uma mudança destas não se trata nem se resolve em dois dias. Fica o apontamento, agora que a situação começa a clarear.

Actualização 21 de Agosto 15:49h:

"Benfica e Sporting de candeias às avessas e o FC Porto (conjunturalmente perto dos leões na eleição de Pedro Proença) nas suas sete quintas, eis o estado na nação futebolística neste princípio de temporada. Nas últimas três décadas, Pinto da Costa teve sempre o feeling certo para tirar partido das guerras a sul, capitalizando-as em favor dos dragões. Muitos são os exemplos de alianças pontuais com águias ou leões, que, invariavelmente beneficiaram o FC Porto. Desta feita, depois do acordo tácito com o Sporting que permitiu derrotar Luís Duque e colocar na liderança da Liga Pedro Proença, Pinto da Costa, por mais que diga que isso não lhe interessa nada, só pode observar, de cadeirinha e com um sorriso rasgado no rosto, a troca de mísseis entre a Luz e Alvalade e vice-versa. 
E enquanto os eternos rivais se fragilizam, o FC Porto - como sempre - toma partido por um deles, ajustando o discurso e isolando o outro.
São estes os parâmetros em que está lançado, fora das quatro linhas o campeonato nacional. Da estratégia do FC Porto continuará a fazer parte um ataque cerrado a Vítor Pereira, que no próximo ano irá a votos na FPF; e outro, quiçá mais difícil mas não menos empenhado, à liderança federativa de Fernando Gomes. Apadrinhar listas que tirem do poder os atuais presidente dos árbitros e presidente da FPF é o passo que se segue, sendo que o primeiro é um alvo mais vulnerável; o segundo, vice-presidente da UEFA e com um trabalho de monta já realizado, será mais difícil de abater. O certo é que o FC Porto está a tentar criar, sábia e pacientemente, condições para recuperar influência."
 
José Manuel Delgado, in A Bola
 

Actualização 25 de Agosto 11:06h:

http://expresso.sapo.pt/desporto/2015-08-25-A-historia-desconhecida-da-ida-de-Jesus-para-Alvalade-

Jorge Jesus atendeu o telefone, e do outro lado da linha estava o senhor X, que ele conhecia de outras andanças, de outros negócios. “Está tudo bem contigo e com a tua família?”, perguntou o senhor X, mas o que lhe interessava saber era como estavam as coisas entre ele e o Benfica. O senhor X abriu o jogo, disse-lhe que estava a telefonar mandatado pelo Sporting e por Bruno de Carvalho (BdC), que o queria a ele e não queria Marco Silva. “É tudo muito bonito”, respondeu-lhe Jesus, mas o senhor X e BdC só podiam estar malucos — onde é que já se tinha visto aquilo, o Sporting com dinheiro para pagar o que pagava o Benfica, se o que se contava era que não tinha um euro para mandar cantar um cego?... O senhor X descansou-o.

“O dinheiro é com o Sporting”, disse ele, pedindo-lhe que avançasse um número, não aquele que achava poder receber em Alvalade, mas o que realmente queria. “Cinco milhões.” O senhor X anotou e prometeu ligar-lhe dentro de dias com novidades. Despediram-se. Uma semana depois, o senhor X voltou a ligar, e Jesus ouviu o que queria. “Cinco milhões de euros. Se quiseres, são teus.”


E quem é este Senhor X? E quem deu a ideia a Bruno de Carvalho? E quem forneceu a linha de financiamento, de onde quer que ela venha, para tal? Basicamente, pergunto: quem foi o Senhor X do Bruno de Carvalho, que terá semeado a ideia, regado quando ela ganhava forma e aplicado o adubo?

 

Actualização 22 de Setembro 11:28h:

http://www.noticiasaominuto.com/desporto/455089/amarelos-a-maxi-passam-se-coisas-esquisitissimas

“Não temos quatro pontos porque não estamos a jogar só com o Benfica, porque estamos provavelmente iguais ao Sporting, e cuidado com o Sporting! Porque o que faltou ao Benfica neste jogo sobra agora ao Sporting: o Jorge Jesus”

 

Pinto da Costa comenta a falta que Jorge Jesus faz ao Benfica e que este beneficia agora o Sporting. Uma vez mais, procura dividir os dois maiores clubes de Portugal, mas mais importante ainda, deixa implícito que o Porto beneficiou com a mudança de treinador da Luz para Alvalade, abrindo a porta à sua (para mim, óbvia) participação, ainda que indirecta, com certeza.

 

Actualização 15 de Outubro 16:12h:

http://redpass.blogs.sapo.pt/o-artigo-completo-da-sabado-sobre-o-1005147

Publico o artigo da revista Sábado, apresentada pelo blog Red Pass, acerca dos detalhes que envolvem o processo movido pelo Sport Lisboa e Benfica a Jorge Jesus, relativo às circunstâncias da sua saída para o Sporting Clube de Portugal.

Não sei se é por ser "conversa de advogado", é possível que sim, mas parece-me uma exposição recheada de exagero, colocando toda a responsabilidade do outro lado. É claro que numa exposição processual deste tipo, seria de esperar que tal fosse feito, mas parece-me uma hiperbolização extrema de algo que, sendo sustentado em prova, não requereria tamanha "enfatização poética", na minha opinião.

Bom, também pode ter sido a revista Sábado a dar esse cunho mais "lírico" ao exposto no processo, é possível.

 

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rematado às 22:44


Vá de retro, Satanás!

por Admirador do Isaías, em 18.05.15

Nem o Satã conseguiu impedir o 34, o BI, para o Sport Lisboa e Benfica!

Houve o bruxo de Fafe, seu amigo pessoal, com quem, aparentemente, partilha umas cabidelas à ceia, mas houve também o da Praia da Vieira (não do Vieira, atenção), que cobrou um favor a Deus (e fez um ensopado muito duvidoso!) para expurgar a influência demoníaca.


Quem viu o jogo no D. Afonso Henriques bem podia ficar a pensar que era o menino com o 666 no alto da peúga quem comandava a bola, tal era o "tiro ao boneco" e a enorme "sorte" que protegia a baliza do Vitória (bom, sorte e um fiscal-de-linha vesgo)! Era no poste, era no nariz, na bochecha, na bancada - em todo o lado a bola acertava menos no fundo das redes. Era o tio S, o Rabudo, a fazer das suas, só podia!

Depois ouviu-se a notícia do golo do Porto. Com todo este azar, apesar do domínio da equipa encarnada, será que teríamos o BI já? A equipa começou a ficar nervosa, pouco esclarecida, mas manteve-se sólida. Na segunda parte, houve um pouco mais de Vitória, mas o Benfica manteve o controlo. Só que os minutos passavam e o Glorioso teimava em não marcar. O relógio continuava a sua dança, os 90' aproximavam-se e... nada! Nem a Onda Vermelha conseguia empurrar a bola para a baliza do Guimarães.

E pouco depois... GOLO!!! Festejos nas bancadas, enorme grito de celebração... mas... a bola não entrou... terá sido? SIM! Golo do Belém!!!

Bastava aguentar. Aguentou-se. Foram minutos de grande tensão, nervosismo, vontade de euforia. O apito final trouxe uma enorme alegria a todo um país - a todo um mundo.

O SPORT LISBOA E BENFICA conquistou o 34º título de Campeão Nacional e sagrou-se BI-Campeão!


Só que o Satã, aborrecido por ter sido contrariado no favor que tentava prestar ao seu grande amigo de Fafe, tomou posse das almas dos seus mais fiéis servos e tratou de estragar a festa. Havia que punir a alegria que o envergonhava, a ele que tão poderosamente se tinha implantado neste jardim à beira-mar plantado e que fazia do futebol o seu joguete preferido! Não podia ser. O orgulho do Demónio é coisa séria e tem de ser protegida.

PSP começa em Guimarães e acaba no Marquês


O Vitória lamentou-se que os adeptos do Benfica lhes vandalizaram a casa. Não sou nada a favor deste tipo de coisas, não sou de todo. Ainda assim, parece-me ter sido um esquema por parte do Presidente de Assembleia Geral do Vitória para sacar dinheiro à Seguradora. É que não se provoca um gigante assim sem consequências. Com certeza que muito irão choramingar porque eles até foram bastante simpáticos e hospitaleiros para com os benfiquistas que foram ao estádio. Penso que ao intervalo houve até direito a umas massagens aos pés e uns suminhos de fruta (não é dessa, de fruta, fruta mesmo!) distribuidos por entre o pessoal de vermelho visitante, tal era o prazer que eles tinham em receber os adeptos do clube que lhes enchem o estádio uma vez por época. Foi assim, não foi, Vitória de Guimarães? Quem não se sente, não é filho de boa gente! Ainda assim, reafirmo: sou contra estes actos criminosos.


A FESTA, essa, foi de norte a sul. Foi de todo o mundo.


As imagens da festa do bicampeonato por todo o Mundo


Fui então ver o que se tinha passado no Restelo, surpreendido que estava com o resultado. Fiquei impressionado, negativamente, pela falta de qualidade do jogo de um clube que tinha aspirações ao título.


O Porto jogou mal, tão mal, tão fraco tanto a defender como a atacar, que penso que o próprio porta-voz da lenga-lenga das arbitragens (projecção Freudiana) teve de se render à evidência. Ajoelhou-se, primeiro, em deferência e solidariedade para com Jesus, ao minuto 92 e depois felicitou-nos a todos, e bem, que levámos este nosso Sport Lisboa e Benfica ao colo durante toda esta campanha!


E bom! Vá de retro Satanás, que o Glorioso tem Jesus!
(E também o bruxo da Praia da Vieira!)

 

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rematado às 15:57

Os versos de Fernando Pessoa, que dão o título a este artigo (e que originalmente o autor atribui poeticamente a D. Pedro, regente por D. Afonso V), encaixam-se na perfeição ao actual treinador da equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica. É um homem tão fiel à sua forma de ser e à sua convicção que nos chega a abalar com a sua fé imensa (por vezes exagerada) nas suas capacidades.


A possível renovação com Jorge Jesus tem opositores apaixonados - e que não deixam, pela paixão que apresentam, de ter a sua razão no que apontam - mas trata-se do passo correcto a dar, tal como o foi após o frustrante final de época 2012/13. Uns apontam as campanhas fracas na Liga dos Campeões, outros referem as substituições incompreensíveis que custam pontos em alguns jogos contra adversários perfeitamente ao alcance do Glorioso. Ambas as afirmações têm fundamento: Jorge Jesus só por uma vez teve uma campanha de bom nível na prova principal Europeia e é facto que algumas vezes mexe mal no jogo e isso já custou pontos. Em relação ao primeiro ponto, há que lembrar que houve duas finais da Liga Europa (que só as perde quem as joga) perdidas de forma extremamente cruel (numa, um canto no último minuto, noutra a lotaria dos penalties após uma exibição vergonhosa da equipa de arbitragem). Quanto ao segundo ponto, há que assumir que em termos gerais temos tido, na era Jorge Jesus, uma equipa do Sport Lisboa e Benfica muito mais competitiva em termos nacionais e internacionais, apesar dos erros ocasionais.

«Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez.» - Fernando Pessoa

Jorge Jesus não é um homem de letras, não é um intelectual sofista, eloquente, que mova multidões com o seu vocabulário. Tem nele, aquela dose de "estupidez" (e esta palavra bem entre aspas) que é comum no geral a todos os povos, ao Português em particular, e com a qual não há quem não se identifique um pouco, pelas tascas, tabernas, cafés e snack-bars deste país. Foi assim que JJ entrou "em circulação" - com as suas calinadas, o seu modo popular de se expressar, a assunção e até orgulho das suas origens. Quantas páginas de jornais e de blogs não se fizeram com as mais recentes expressões inventadas por JJ?

Só que, não sendo um declamador de frases feitas que fiquem bem, Jorge Jesus é um homem profundamente convicto nas suas ideias. Foram elas que o transportaram desde um anonimato espectável, para quem começou a treinar no Amora, até o mais alto nível nacional, no Benfica. Foram elas que lhe renderam títulos, que lhe abriram as portas do mundo do futebol que sempre amou e ama (e esse seu amor pelo jogo é inabalável!).


Ele trouxe, assim, estes dois factores a um Sport Lisboa e Benfica que carecia muito não só "do seu próprio umbigo" como de uma ideia concreta e estável em relação ao seu futebol - trouxe uma identidade popular (que sempre fora importante no Glorioso) e uma convicção inabalável numa ideia de jogo.

«Um bom modelo vale mais que um longo discurso.» - Napoleão Bonaparte

Quer se goste ou não do modelo, da ideia, da forma de Jesus montar as suas equipas, faltava ao futebol do Sport Lisboa e Benfica uma convicção assumida e clara. Realmente, conforme Napoleão indicou, uma convicção, um esquema funcional, é mais importante que palavras ocas que ninguém, verdadeiramente, percebe e que só servem para encobrir incompetências. O Benfica, na sua História, é um clube tradicionalmente de ideias e convicções fortes e claras - exemplos: quando se tornou num clube vencedor que alinhava somente com jogadores amadores, ou quando somente jogadores Portugueses podiam envergar a camisola rubra de águia ao peito. Foram ideias fortes e claras, que mudaram com o andar dos tempos, naturalmente, com a adaptação a novas realidades, mas ainda assim válidas, claras e fortes ideias.

Jorge Jesus devolveu esse pedaço da História Benfiquista ao clube - sendo ele um Sportinguista de origem - talvez por ser "filho" de uma época em que se vivia e morria de acordo com as convicções detidas, não só no futebol. Hoje a equipa do Benfica sabe com que modelo contar. Sabe que ideias tem de pôr em campo. Quer se goste quer não, saber-se com o que contar e o que é esperado de cada um é um elemento fundamental para um sucesso sustentado e não apenas ocasional.

Penso que terá sido "palavra dada" que Jesus renovará se for bicampeão. Considero também que o mesmo acontece com Maxi, a quem foi "palavra dada" que beneficiaria do contrato merecido pela importância do seu contributo e alma, "bastando" para isso ser campeão dois anos seguidos.

Neste sprint final, apesar de reconhecer claramente os defeitos e os feitios de Jorge Jesus, estou convicto que tal vontade será uma realidade e que o treinador renovará para permanecer fiel às suas ideias e convicções. Aqui o Isaías, a concretizar-se, não fica nada insatisfeito que tal suceda (bem pelo contrário), mesmo quando uma ou outra decisão daquela cabeça que habita por debaixo da longa juba, me faz exclamar um sentido, profundo e ruidoso

 

F#&4-$E!

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rematado às 15:12


Muito nervo e pouca bola

por Admirador do Isaías, em 27.04.15

Nem eu nem nenhum dos Benfiquistas que assistiu ao jogo está agradado com a exibição nem com o resultado. Podemos estar satisfeitos, dado o que foi o jogo, mas não agradados. Ainda assim, o que saltou mais à vista nesta partida foi que, tendo a estratégia inicial do FC Porto funcionado melhor que a do SL Benfica - conseguindo alguma vantagem no meio campo na primeira parte - em momento algum da mesma, demonstrou a equipa Portista estofo ou capacidade para arrumar o jogo a seu favor. Um Benfica amordaçado, sem ideias, algo nervoso, também, encontrou pela frente um Porto que se sentia melhor mas sem confiança para verdadeiramente assumir o jogo - tendo obrigatoriamente de vencer, para depender só de si. Houve, de parte a parte, muito nervo mas pouca bola.

Foi de louvar que Jorge Jesus tivesse pensado neste jogo com os olhos postos na vitória - a inclusão de Jonas e Lima demonstram que o que ele projectava para a partida era um jogo de maior incidência atacante por parte da sua equipa. A inclusão de Talisca visava jogar com alguém que pudesse proteger mais a zona interior, mas o Brasileiro já demonstrou apenas ter aptidão para segundo avançado ou 10, dado que, longe da zona de decisão e finalização, não tem mentalidade para a luta mais acesa que se trava no meio campo, se não lhe derem espaço. A estratégia inicial do Benfica não funcionou.

Aí, Lopetegui percebeu melhor o que iria ser o jogo. Montou a sua equipa com a ideia clara de tentar primeiramente conquistar o meio campo, roubar iniciativa ao Glorioso e, com isso, intimidá-lo. Conseguiu fazê-lo na primeira parte. Houve momentos em que o Benfica perdeu o norte e apenas conseguia "chutar" para a frente, entregando de novo a iniciativa ao adversário.

Com este contexto, faltou ao FC Porto o tal estofo que referi, a capacidade de impôr-se, fazer 15 ou 20 minutos intensos e arrumar o adversário. Será esta mesma falta de estofo, que já lhes faltara no Dragão, que definirá este momento do campeonato. A equipa Portista teve a sua oportunidade e não a aproveitou, mantendo-se a diferença entre os dois da frente, o resultado excelente alcançado pelo Sport Lisboa e Benfica no terreno do adversário directo.

Posto isto, note-se que na segunda parte muito mudou - o Benfica entrou diferente e conseguiu colmatar as falhas do primeiro tempo. Equilibrou o jogo e conseguiu criar espaços, algo que, até aí, não tinha conseguido. O Porto tremeu um pouco e não mais conseguiu conquistar o meio campo ao Benfica. Ambos conseguiram alguns lances de perigo, note-se, mas percebia-se que, a não ser uma falha defensiva ou um lance genial, o jogo terminaria a zeros.


Assim foi. O Sport Lisboa e Benfica sai, naturalmente, melhor deste resultado, mas revelou alguma fragilidade no cara-a-cara com a equipa do FC Porto que queria muito ganhar, mas não teve como; ficou-se pelo mérito de impedir que o Benfica o fizesse.

Pizzi não é ainda médio centro ao nível desejado, mas Samaris foi uma verdadeira parede no centro. Jardel esteve irrepreensível e Maxi foi importantíssimo ao tentar dar combustível ao motor Benfiquista. Jonas, quando apareceu não teve apoio (muito por mérito defensivo do adversário) e Lima... anda em baixo, muito importante na movimentação, mas muito menos decisivo. Valeram os pontos que não deixámos ganhar e que fazem valer a vantagem do jogo do Dragão. São três pontos reais e quatro virtuais com quatro jogo para o fim.

Cada jogo, uma final - não poderá ser de outra forma.


PS: Julinho Lotopegui queria saber como se pratica boxe de rua na Amadora, mas foi poupado a essa humilhação... e ainda bem. Não ficaria nada bem ao Glorioso que houvesse luta fora do ringue. Etxera!

 

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rematado às 13:34




Admirador do Isaías

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