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Isaías no Benfica!


Primeira Liga 2017/18



Dobradinha! Grande (Rui) Vitória!

por Admirador do Isaías, em 30.05.17

Diante de um Vitória demasiado agressivo, não travado por uma arbitragem disciplinarmente passiva, o Benfica uniu-se, fez-se forte e conseguiu resolver uma final complicada em 5 minutos na segunda parte.

 

 

O jogo em si foi mais de luta que de espectáculo, mas o que queríamos concretizou-se. Juntámos mais uma dobradinha ao inédito Tetra e vamos de férias com a chama imensa bem acesa.

 

Parabéns a Rui Vitória por a acender, por nunca tremer diante do trabalho à sua frente, por nunca temer a derrocada quando a derrota nos visita. Fiel, dedicado, humilde. Coerente, sereno, competente.

Vamos de férias tranquilos, sabendo agora que na "Cadeira de Sonho" está um Sonhador com os pés bem assentes no chão.

 

Rumo ao 37! Rumo ao Penta!

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rematado às 09:08


A redenção de um TETRA

por Admirador do Isaías, em 14.05.17

Tais foram as lágrimas que ontem brotaram nos meus olhos, pela emoção da vitória sobre o Vitória de Guimarães, do futebol avassalador, da História, sim, mas sobretudo pelo entendimento profundo do que realmente foi alcançado. Nestes momentos, o Benfica dá-nos a oportunidade, a cada um de nós, de nos erguermos acima do lodo inerente à nossa existência. Os problemas mundanos extinguem-se, as preocupações tornam-se supérfluas, ocorre uma "pequena morte" que nos deixa saborear o êxtase da transcendência.

 

 

Só que o Benfica não venceu apenas, fez mais que isso. Abrasou uma vez mais, com a Luz intensa do seu íntimo sol, todos os vampiros conscientes e inconscientes, que desesperam por tapar a contínua manifestação do Fogo Sagrado, para subsistirem. Desligados da vida, eles invejam-nos por o Benfica nos ter escolhido, por nos imbuir com estas chamas que, ao contrário do que se diz, não criam um Inferno da Luz, mas sim que queimam um Inferno (o da mundana existência) com a Luz.

 

Este é, para mim, também, um momento de redenção. A coragem de um homem é mais facilmente vista pela forma como aceita os seus erros e assume e admira os seus melhores. Sofri de cegueira. Não reconheci Rui Vitória nem quando o vi, nem quando começou perdendo no nosso clube. Não tive a clarividência de perceber e só o milagre da conquista que ainda foi a tempo de conseguir na época passada me mostrou. Ainda assim, apesar de ter mudado o meu discurso aqui no blog, ainda me faltava assumir o erro.

A diferença individual entre Jorge Jesus e Rui Vitória, bem como o efeito que cada um tem nos que os rodeiam, é abissal. Fomos levados pela tentação da boçalidade nos momentos de vitória. Confundimos exigência com prepotência. A isto tudo, Rui Vitória reagiu com coerência, consistência e tranquilidade. Devolveu àqueles que seguem o Benfica um sentimento tão mais próximo da originalidade do próprio clube, tão genuíno, que se tinha perdido pelas eras mercantis, onde deixámos em lápides alguns dos últimos verdadeiros idealistas.

 

Só que o Benfica não existe fora do seu contexto. Se a era é mercantil, então o Benfica adapta-se. Se o nosso Símbolo é uma estaca cravada na escura Roma, qual um farol (por isso nos situamos na Luz), então si fueris Romae, Romano vivito more (em Roma faz como os Romanos). Se a era é mercantil, então quem melhor que um mercador astuto para liderar o clube e empresa? Luís Filipe Vieira, a quem reconheço variados defeitos que foi revelando ao longo destes 15 anos, tem o mérito de perceber "como ser Romano" antes dos outros. Deu ao Benfica as ferramentas próprias para se afirmar de novo neste novo mundo, tão distante dos tempos da fundação, como outros antes dele o fizeram. Adaptou o clube aos novos tempos. Mesmo que o tenha feito partindo de motivações egoístas, tornou-se num homem cujo Destino se revelou muito maior do que ele próprio.

 

«O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.»
- in Tabacaria, Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

Vieira encontrou, nestes dois anos, em Rui Vitória, o contraponto fundador, o idealista à imagem de figuras de proa do nosso clube no início e meio do século XX. O homem que soube acender um outro tipo de lume em nós todos, através da comunicação calma e respeitosa, mesmo nos momentos em que teve de se exaltar perante as circunstâncias. A fortuna que o acompanha, acompanha-nos agora, porque Rui Vitória fundiu-se tão naturalmente com o Benfica que, agora, parece que nasceram juntos. E não tenho quaisquer dúvidas que a sua Sorte, tão aliada às suas outras competências nos momentos mais cruciais, tem sido a força da sua "raça ardente e viva". Peço perdão, Rui Vitória. Grato pela alegria e inspiração, que vão bem além das vitórias conquistadas.

 

E agora, celebre-se mais um pouco. Somos TETRA, porra!

 

Daqui a duas semanas, já há mais um troféu para conquistar - sempre com o máximo respeito pelos adversários (humanos como nós), sem tomar absolutamente nada como garantido, com total humildade e uma ardente vontade de saborear de novo a transcendência.

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rematado às 20:50


«Não te cumprimento porque não sou hipócrita»

por Admirador do Isaías, em 28.01.17

É minha opinião que, no que concerne à suspensão de Rui Vitória, o nosso treinador não deve protestar a arbitragem num jogo em que a equipa perdeu por falhas próprias (mesmo que tenha também havido erro do árbitro), muito menos pondo-se a jeito de ser suspenso. Ponto prévio feito. Contudo, se é verdade o que vem escrito na a notícia d'A Bola, eu faço uma vénia ao Mister Vitória relativamente ao seu comportamento com Augusto Inácio.

 

«Não te cumprimento porque não sou hipócrita e tenho valores pessoais e profissionais de que não abdico. Ninguém esquece o que nos tentaste fazer no ano passado.»

 

Se o conteúdo do que lhe disse foi realmente o que vem relatado na notícia, ele representou o Benfiquismo naquele momento.

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rematado às 11:40


Entregar o ouro ao bandido

por Admirador do Isaías, em 27.01.17

A equipa do Sport Lisboa e Benfica mereceu perder este jogo.

 

Uma partida, como nós bem sabemos, é disputada em 90 minutos, não 45. A exigência, particularmente na concentração e no foco no jogo, é ainda mais elevada quando se enverga o Símbolo e o Manto Sagrado.

 

Rui Vitória, que no geral costuma ter uma boa leitura do jogo e dos adversários, foi, desta vez, "comido de cebolada" pelo ódio que se lhe opôs, incorporado e personalizado por Augusto Inácio. Como ele próprio referiu no final, foram "camisolas vermelhas contra verdes e brancas" - com esta injecção de fuel, o ódio se reacende. Perder, especialmente assim, com tanta desorientação, foi entregar o ouro ao bandido.

 

 

Eu repito que a equipa do Benfica mereceu perder e que, por consequência (porque fez pela vida e bem), a equipa do Moreirense mereceu ganhar. O que me desgosta é ter sido com Inácio, que representa o ódio, personifica-o. É apenas mais um a fazê-lo, entre o presente e o passado. O Sport Lisboa e Benfica, como Símbolo, brilha mais intensamente que qualquer outro clube (pelo menos, em Portugal) e, por consequência, a sombra que essa Luz forma perante os outros é maior, fazendo parecer que o mais pequeno, mas menos brilhante, está à sua altura. Por isto, o Benfica não pode, nunca, perder-se. Não pode perder-se na sua equipa em campo e não pode perder-se em relação à direcção em que caminha.

 

O ódio, sombra causada pela intensa Luz do Glorioso, estará sempre presente, sempre à espreita. É no momento do jogo (que é sempre mais que apenas um jogo) que temos de mostrar a superioridade do nosso Símbolo, pois qualquer desleixo será aproveitado.

 

Contudo, este resultado poderá ter um efeito positivo. Rui Vitória, que é inteligente, não deverá voltar a arriscar nos seus onzes e seguramente que esta segunda parte será usada como exemplo doravante. Adicionalmente, com jogo na segunda-feira para a I Liga, os jogadores titulares estarão em brasa para rectificar a imagem que deixaram - e isso pode e deve ser psicologicamente usado pelo treinador. Apelo à humildade, concentração e dedicação de todos os envolvidos.

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rematado às 08:24


Regresso

por Admirador do Isaías, em 19.01.17

Resolvidas, aparentemente de vez, as questões que me impediam acesso à internet, regresso finalmente Ao Colinho do Isaías. Regresso aqui após dois meses em que o Benfica conseguiu manter-se em todas as provas e liderando o campeonato focado em si mesmo apenas. Orgulho.

 

A dúvida que ficara no grupo em relação ao jogo com o Boavista (com ou sem razão de queixa da arbitragem, temos equipa para não podermos desculpar-nos com isso) poderá ter sido eliminada com este jogo calmo e tranquilo, precisamente o que a equipa precisava neste momento, com a importância da qualificação para as meias-finais do Campeonato de Portugal .

 

 

A falta de rotinas em conjunto da linha defensiva que jogou ontem proporcionou dois golos ao Leixões, o que terá de merecer atenção e trabalho - contra uma equipa da I Liga, encaixar dois golos poderá ser bastante problemático.

 

Ainda assim, a equipa está bem, aliás, o plantel está bem. Rui Vitória (que errou no alinhamento diante do Boavista, claramente), revela-se inteligente ao entender, assumir (não tem de o fazer publicamente) e corrigir os seus erros. A equipa que apresentou ontem diante de um dos últimos classificados da II Liga, após aquele 3-3, enviou uma mensagem clara e tranquilizou os jogadores. O resto, foi o talento a fazer golo.

 

Zivkovic é cada vez mais o titular que precisamos na ala direita. Seguramente que haverá inteligência também de Rui Vitória na forma como irá fazer essa transição, de modo a que o plantel se mantenha unido e todos os jogadores se sintam importantes.

 

Força Benfica!

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rematado às 09:10


Há 15 anos, teríamos perdido

por Admirador do Isaías, em 07.11.16

A equipa do FC Porto entrou forte neste clássico e cedo se percebeu que toada teria o jogo.

O Portismo não tem apenas 30 e tal anos (muito pelo contrário) e este tipo de empenho demonstrado ontem é de um Porto "à antiga". O orgulho, a união e a raça que fizeram deste clube o terceiro grande, quando ainda Pinto da Costa nem sonhava ser Presidente.

Caceteiros? Ontem só numa ou outra ocasião; e com uma arbitragem neutra, o Porto "à moderna" dos últimos 30 e tal anos terá sempre dificuldades, por lhe faltar a base emocional que deitou fora em troca do ódio e da batotice. Isso é um problema do Portismo, contudo.

 

A equipa do Sport Lisboa e Benfica foi ontem empurrada demasiadas vezes para o seu reduto defensivo e percebia-se que, sem alterações, difícilmente não sofreria golos. Samaris sem ritmo, como se viu com o Kiev, pareceu-me má escolha para iniciar o jogo e a batalha do meio campo foi sempre desigual.

O golo surgiu, como infelizmente era espectável. Há 15 anos teria sido suficiente para a derrota - pela derrocada emocional e pelo controlo dos árbitros ainda então detido por Pinto da Costa. Só que esse controlo findou e este Benfica de Rui Vitória é pleno de espírito, forte emocionalmente e focado em si mesmo. Lesões e indisponibilidades nada significam para este grupo e para este treinador. Um mérito subvalorizado.

Esse espírito sobrepôs-se às dificuldades e à aparente montanha que havia que escalar - fez dela um montezinho de areia e o cabeceamento de Lisandro matou o fantasma dos 92 minutos no Dragão.

 

Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!

Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé, a alma!

- excerto do Hino do Sport Lisboa e Benfica

 

Nota: Sei que ainda não o disse, mas chegou a altura. A postura e atitudes de Maxi Pereira diante do clube que lhe deu notoriedade e títulos, perante ex-colegas de equipa até, demonstram que, com ou sem Paco Casal metido ao barulho, tem o carácter de um rato de esgoto. Claro que Maxi deve dar o seu máximo no jogo ao representar o clube que agora lhe paga para jogar. Contudo, há uma grande diferença entre dar tudo futebolisticamente e ser arruaceiro e provocador. Olha, há um tal Nélson Sem Medo que irá ocupar o lugar no museu Cosme Damião que poderia ter sido teu.

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rematado às 07:54


Do resultadão ao resultadinho

por Admirador do Isaías, em 02.11.16

Na sexta-feira, o resultadão. 3-0 parco para o domínio imposto e para a qualidade do futebol Benfiquista. Ontem, o resultadinho. 1-0 aceitável como mínimo, mas com uma exibição desinspirada que poderia ter comprometido muita coisa já nesta fase.

 

 

O alívio da vitória suadinha (com um segundo penalty favorável que ficou por marcar, diga-se) é, no entanto, assombrada pela lesão de Fejsa. Ainda assim, Rui Vitória já provou aos Benfiquistas (até aos que lhe foram mais justamente críticos, como eu!) que...

 

«O azar de uns é a oportunidade de outros»

 

De quem, contudo? Samaris não tem ritmo, como demonstrou. Será Celis? André Almeida? Ou será que Fejsa recupera?

 

Não importa. A equipa que se apresentará no Dragão saberá honrar o símbolo da águia dourada. Veremos se com o que tem vindo de proeminentes representantes do "FC Porto 1982" (não confundir com o original FC Porto), todos os outros intervenientes saberão honrar-se da mesma forma.

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rematado às 07:30


O ataque será a melhor defesa do título

por Admirador do Isaías, em 08.08.16

A Supertaça é o primeiro troféu da época, apesar de se desenrolar cedo de mais na época para que se perceba o que aí vem com garantia. Consegue ver-se quem está melhor naquela fase, poderá prever-se o potencial, mas a época será longa e difícil de prever.

 

Posto isto, a verdade é que ontem se verificou que o Benfica 2016/17 de Rui Vitória será tão ou mais atacante que o de 2015/16.

Por um lado, tem a coesão de quem joga junto há bastante tempo: Pizzi dá à equipa um jogo central que nenhum outro extremo do plantel tem para dar e complementa Jonas de olhos fechados, enquanto Mitroglou, apesar de ontem me parecer mal fisicamente, percebe o que tem de fazer para que Jonas se solte. Ah! E habemus Júlio César! Que exibição do nosso guarda-redes!

Por outro, tem qualidade nos reforços: Cervi é craque, fazendo lembrar o melhor Saviola, e ganhou confiança com o seu primeiro golo. André Horta começa a entender melhor a sua função e a desempenhá-la bem, libertando-se da comparação com Sanches. Grimaldo dá muito mais técnica à equipa que Eliseu, perdendo na componente física para o seu colega de posição.

Parece-me, no entanto (e se ficar no plantel), que Jardel deverá jogar por Luisão. O capitão é importante psicologicamente, mas obriga a que Lindelöf corra por dois e esteja sempre na dobra. Jardel é, nesta fase da carreira, uma melhor solução... se ficar no plantel.

 

De qualquer modo, verifica-se que a melhor defesa ao título que o Benfica poderá aplicar estará no ataque. Afinal, se se conseguir fazer dois a três golos por jogo, dificilmente não se conquistarão três pontos. Há muito a melhorar defensivamente, mas penso que isso virá com tempo, sinceramente.

 

Venha lá o Tondela!

 

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rematado às 08:55


Entrevista a Rui Vitória n'A Bola

por Admirador do Isaías, em 24.05.16

http://redpass.blogs.sapo.pt/rui-vitoria-na-bola-1073242

 

Entrevista a Rui Vitória, que respondeu de forma serena e ponderada de alguns dos temas desta época do Tri. Alguns apontamentos para reflectir, outros para digerir, outros para usufruir - cada um à sua forma, à Benfica.

 

O mérito de Rui Vitória na vitória desta época futebolística é inegável. Inegável é, também, o mérito e fundamento da crítica que lhe fora dirigida até certa altura da época (excepto aos que entraram em campos de exagero, ridicularização e ofensa pessoal).

 

Agora que nos conquistou a todos pelo mérito, pela vitória, pela competência, desejamos que, juntos, consigamos construir sobre os alicerces desta época e que o rumo seja mantido, com coerência e transparência.

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rematado às 14:36


Há muito do 30 no 35!

por Admirador do Isaías, em 16.05.16

O Glorioso Sport Lisboa e Benfica sagrou-se ontem tri-campeão nacional da I Liga, tendo conquistado o seu 35º título.

Leia uma análise mais factual à partida, por Eu visto de Vermelho e Branco, aqui.


Intensos como poucos, os adeptos Benfiquistas são, por norma, extremamente supersticiosos e preservam, com ou sem vontade, com prazer e com sofrimento, muitos fantasmas da História do seu clube. Esta comparação que aqui farei, apesar de positiva, não deixa de pertencer à categoria dos fantasmas, pois as boas memórias (como a do 30º em 1993/94) que os Benfiquistas guardam são, também, como se viu até 2004/05, uma assombração quando surgem distantes no tempo.

 

Muitos Benfiquistas, crentes na vitória final neste campeonato, particularmente a seguir à vitória em Alvalade, não deixaram de temer outro "fantasma", o de Kelvin há 3 anos, por exemplo, ainda que o escondessem em gritos de apoio a esta equipa que acabou por fazer História.

 

Este 35º tem, assim, muitas semelhanças com o 30º, conquistado em 1993/94, ainda que com as devidas diferenças, obviamente. Em primeiro lugar, em 93/94 o FC Porto estava mais forte, tendo mesmo roubado o segundo lugar ao Sporting no sprint final. Depois, ao invés de dois jogadores importantes terem rumado a Alvalade, foi sim o treinador bi-campeão, muito querido entre os adeptos por motivos que já enumerei anteriormente, a partir para o Sporting e o vice-capitão, com oito épocas de Águia ao peito, a rumar ao FC Porto. Também importante diferença é a situação financeira entre as duas épocas: no 30º, o Glorioso começava a sentir um afundamento que, como não foi invertido, muito pelo contrário, por Manuel "Coveiro" Damásio (por muito que seja convidado a aparecer em eventos do Benfica, jamais se livrará da memória do que fez de mal ao nosso clube - outro dos "fantasmas" que mencionei), provocou um naufrágio que durou uma década.

Foi, por isso, e em semelhança ao campeonato da época 1993/94, uma vitória do Sport Lisboa e Benfica perante um intenso ataque dos seus rivais, com as diferenças contextuais apontadas.

 

 

Rui Vitória começou mal a época. Sim, muito por culpa da pré-época desastrosa com as malas às costas no continente Americano, mas também devido a não ter sabido, na altura, exorcizar dos seus jogadores, dos adeptos e, talvez, de si próprio, o fantasma de Jorge Jesus, que teimava em subsistir nas sombras do mundo Benfiquista como um papão. Benfiquista como é, Rui Vitória deveria ter tido a noção do que é a mentalidade Benfiquista e do seu inconsciente apego aos "fantasmas". Em sua defesa se deve apontar a sua falta de experiência no contexto de um clube da dimensão do Benfica, sendo que a estrutura do clube lhe deveria ter proporcionado essa ajuda, o que não aconteceu. Vitória permitiu, pelo seu relativo silêncio e discurso repetitivo, que o seu trabalho estivesse sempre refém das impressões digitais do seu antecessor.

As ideias de Rui Vitória são diferentes das de Jorge Jesus. O facto de ambos terem optado por um 4-4-2 no Benfica, não as torna semelhantes, de todo. Nenhum dos dois inventou esse esquema táctico, nem tão pouco o jogo interior dos extremos que acabou por impulsionar a equipa para uma classificação nunca vista. Com Rui Vitória viu-se maior controlo emocional nos diversos momentos de jogo, maior cautela, maior pragmatismo num futebol mais prático (assim que os fantasmas foram, por fim, exorcizados). Viu-se também uma preocupação, de base, em utilizar o trabalho de muitos anos que se tem feito no Seixal - ponto fundamental para a sua contratação.

Rui Vitória foi criticado - e com razão! - no momento em que precisou de o ser, porque o Benfica é exigência, uma casa onde se aprende vencendo perante os rivais mas também perante as limitações próprias. É agora - e com grande mérito! - elogiado pela extraordinária liderança que conseguiu impor de forma calma e convicta, levando a equipa à vitória final.

A semelhança desta 35ª conquista do campeonato nacional com a 30ª reside no ataque sem tréguas do Sporting que, uma vez mais, tal como em 1993/94, tendo derrubado o seu odiado rival no primeiro assalto, tratou de o querer humilhar, de se regozijar com a conquista que ainda não tinha atingido. O 0-3 na Luz aplicado pelo Sporting, perante as exibições do Benfica que a antecederam tão manchadas pela dúvida em relação ao valor de tudo o que envolvia a equipa, em particular Rui Vitória, foi esse tal momento do knockdown (utilizando linguagem do boxe).

«Está ganho!» - ouviu-se do outro lado da 2ª Circular. Essa curta ideia após a vitória na Luz acabou por servir o propósito de (consegue perceber-se agora, à distância) retirar de Rui Vitória o peso da expectativa por parte dos adeptos e deixá-lo trabalhar as suas ideias "em sossego". Aos poucos e poucos, o Benfica lá ia ganhando, melhorando aqui e ali, fazendo exibições excelentes como a de Madrid, alternadas com a pobreza na Madeira diante do União.

Foi, no entanto, na conferência de imprensa de resposta às "postas de pescada" em que foi acusado de "não ser treinador", que Rui Vitória tomou, finalmente, as rédeas da equipa, exorcizou das suas mentes Jorge Jesus e uniu os adeptos à sua volta. A partir daí, só o FC Porto travou este Sport Lisboa e Benfica a nível nacional, na melhor exibição da época da equipa azul e branca, colocando um carácter decisivo estampado no jogo de Alvalade.

 

Neste momento, devo lembrar que o Sporting teve 8 pontos de avanço sobre o Benfica, a dada altura. 8 pontos de avanço e perderam 10, 3 dos quais nesse jogo em Alvalade. Mesmo se excluíssemos os erros de arbitragem que favoreceram o Sporting (e não foram poucos, até fora de campo, como o caso "Cotovislam" Slimani), que justificação sobra aos responsáveis pelo Sporting, e a Jorge Jesus em particular, para a perda de 10 pontos de uma super-equipa como o treinador disse que a sua equipa era? E isto sem contar com as falhas de arbitragem que favoreceram o Sporting! Será que Bryan Ruiz não tem qualquer responsabilidade na perda desses pontos, falhando dois golos no derby, um de forma escandalosa? É que os adeptos do Sporting devem entender (e muitos entendem-no, há que dizê-lo) que quando os Benfiquistas criticaram Rui Vitória, fizeram-no com o mesmo amor ao clube que quando agora o elogiam - ou seja, é na identificação das responsabilidades próprias que reside a força para se transformar uma derrota em vitória. Nunca os Benfiquistas no geral se focaram no Sporting (por muito que os responsáveis do emblema do leão o quisessem e tentassem, pela provocação), mas sem dúvida que o Sporting se focou inteiramente no seu ódio irracional ao Benfica e, em particular, nas vitórias da Supertaça e no 0-3 na Luz. O 0-1 em Alvalade foi, mais que um balde de água fria, uma reviravolta emocional no campeonato. Do «Está ganho!» passou-se ao «somos a melhor equipa» e «eles têm sorte».

 

A cada vitória do Benfica na longa caminhada entre Alvalade e a 34ª jornada, o desespero leonino foi crescendo, por perceberem que tinham dado, uma vez mais, historicamente, um tiro no próprio pé - tal como em 1993/94 com Sousa Cintra e o despedimento de Bobby Robson. Imagine-se se nos anos 90 houvesse Facebook e os jornais online como agora. Sim, Sousa Cintra teria feito algo parecido a nível de comunicação contra o Benfica, não tenho dúvidas.

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A postura de Jorge Jesus na conferência de imprensa a seguir ao jogo em Braga fez-me lembrar a de Sérgio Conceição no final da Taça de Portugal do ano passado: incapazes ambos de reconhecerem os erros próprios e os méritos dos adversários. É que Sérgio Conceição perdeu no Braga que orientava uma Taça de Portugal perante um Sporting que acreditou mais e soube ser humilde no jogo, tal como Jorge Jesus perdeu no Sporting um campeonato diante de um Benfica que soube ser prático e humilde durante a totalidade da maratona. Ainda por cima, Jorge Jesus saiu cedo das competições europeias e com resultados pouco dignos para um clube Português, muito menos para um da dimensão do Sporting. Jesus continua, portanto, refém de si mesmo: é dele o mérito, ganhe quem ganhar. Burro velho não aprende truques novos. É pena, porque poderia ser um dos melhores da Europa, mesmo tendo chegado tarde ao futebol de topo. Só que os jogadores sentem isto tudo, por muito que queiram ser profissionais - eles sabem que, para Jorge Jesus, só contam se lhe derem êxito. Fora isso, são meros joguetes nas suas mãos.

Rui Vitória, por seu lado, teve todo o direito, ao contrário do que alguns afirmaram, de dar uma resposta que até podia ter sido mais contundente ao treinador do Sporting que o tentou humilhar ao fim do primeiro assalto. "Quem não se sente não é filho de boa gente" e muito já o homem que existe por detrás da máscara do profissional de futebol teve de suportar. O seu comentário, lançado com a mesma serenidade de (quase) sempre na direcção do rival, foi um coup de grâce ao orgulho do seu homólogo rival, inteiramente merecido por este. Rui Vitória foi campeão com uma pontuação Histórica, sem Matic, Enzo Pérez, Cardozo, Di Maria, Saviola, Aimar, Garay ou Witsel. Foi campeão sim com Nélson Semedo, Renato Sanchez, Lindelöf, Gonçalo Guedes, Éderson e até, porque não incluir, Nuno Santos, Jovic e Clésio. Com este treinador, os jogadores sentiram-se o centro do jogo, o centro da equipa. O mérito sempre lhes foi atribuído.

Por muito que se possa apontar a Luís Filipe Vieira, ele é reconhecidamente, pela sua aposta ganha, o arquitecto do 35 e do tri-campeonato. Até o seu mais recente opositor o reconheceu, antes de terminar o campeonato e de se saber o resultado final da prova, que não faria sentido candidatar-se contra o actual presidente.

 

Com tudo isto, tenho de dizer que o Sport Lisboa e Benfica conquistou esta época, para o seu rol de fantasmas, mais um: da próxima vez que estivermos por baixo e nos quiserem humilhar, lembrar-nos-emos de 2015/16 e do célebre 35 conquistado por Rui Vitória.

 Que seja o primeiro de muitos!

 

Não sendo apreciador do estilo musical em si, penso que esta canção define muito do que foi a história deste campeonato:

 

E porque não terminar com um sorriso? :-)

inimiog publico - rv.PNG

Actualização 16/Maio/2016, 21.23h:

Video que resume esta época, os altos e baixos, elaborado por Guilherme Cabral.

 

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rematado às 14:06




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