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Isaías no Benfica!


Primeira Liga 2017/18


Os versos de Fernando Pessoa, que dão o título a este artigo (e que originalmente o autor atribui poeticamente a D. Pedro, regente por D. Afonso V), encaixam-se na perfeição ao actual treinador da equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica. É um homem tão fiel à sua forma de ser e à sua convicção que nos chega a abalar com a sua fé imensa (por vezes exagerada) nas suas capacidades.


A possível renovação com Jorge Jesus tem opositores apaixonados - e que não deixam, pela paixão que apresentam, de ter a sua razão no que apontam - mas trata-se do passo correcto a dar, tal como o foi após o frustrante final de época 2012/13. Uns apontam as campanhas fracas na Liga dos Campeões, outros referem as substituições incompreensíveis que custam pontos em alguns jogos contra adversários perfeitamente ao alcance do Glorioso. Ambas as afirmações têm fundamento: Jorge Jesus só por uma vez teve uma campanha de bom nível na prova principal Europeia e é facto que algumas vezes mexe mal no jogo e isso já custou pontos. Em relação ao primeiro ponto, há que lembrar que houve duas finais da Liga Europa (que só as perde quem as joga) perdidas de forma extremamente cruel (numa, um canto no último minuto, noutra a lotaria dos penalties após uma exibição vergonhosa da equipa de arbitragem). Quanto ao segundo ponto, há que assumir que em termos gerais temos tido, na era Jorge Jesus, uma equipa do Sport Lisboa e Benfica muito mais competitiva em termos nacionais e internacionais, apesar dos erros ocasionais.

«Nenhuma ideia brilhante consegue entrar em circulação se não agregando a si qualquer elemento de estupidez.» - Fernando Pessoa

Jorge Jesus não é um homem de letras, não é um intelectual sofista, eloquente, que mova multidões com o seu vocabulário. Tem nele, aquela dose de "estupidez" (e esta palavra bem entre aspas) que é comum no geral a todos os povos, ao Português em particular, e com a qual não há quem não se identifique um pouco, pelas tascas, tabernas, cafés e snack-bars deste país. Foi assim que JJ entrou "em circulação" - com as suas calinadas, o seu modo popular de se expressar, a assunção e até orgulho das suas origens. Quantas páginas de jornais e de blogs não se fizeram com as mais recentes expressões inventadas por JJ?

Só que, não sendo um declamador de frases feitas que fiquem bem, Jorge Jesus é um homem profundamente convicto nas suas ideias. Foram elas que o transportaram desde um anonimato espectável, para quem começou a treinar no Amora, até o mais alto nível nacional, no Benfica. Foram elas que lhe renderam títulos, que lhe abriram as portas do mundo do futebol que sempre amou e ama (e esse seu amor pelo jogo é inabalável!).


Ele trouxe, assim, estes dois factores a um Sport Lisboa e Benfica que carecia muito não só "do seu próprio umbigo" como de uma ideia concreta e estável em relação ao seu futebol - trouxe uma identidade popular (que sempre fora importante no Glorioso) e uma convicção inabalável numa ideia de jogo.

«Um bom modelo vale mais que um longo discurso.» - Napoleão Bonaparte

Quer se goste ou não do modelo, da ideia, da forma de Jesus montar as suas equipas, faltava ao futebol do Sport Lisboa e Benfica uma convicção assumida e clara. Realmente, conforme Napoleão indicou, uma convicção, um esquema funcional, é mais importante que palavras ocas que ninguém, verdadeiramente, percebe e que só servem para encobrir incompetências. O Benfica, na sua História, é um clube tradicionalmente de ideias e convicções fortes e claras - exemplos: quando se tornou num clube vencedor que alinhava somente com jogadores amadores, ou quando somente jogadores Portugueses podiam envergar a camisola rubra de águia ao peito. Foram ideias fortes e claras, que mudaram com o andar dos tempos, naturalmente, com a adaptação a novas realidades, mas ainda assim válidas, claras e fortes ideias.

Jorge Jesus devolveu esse pedaço da História Benfiquista ao clube - sendo ele um Sportinguista de origem - talvez por ser "filho" de uma época em que se vivia e morria de acordo com as convicções detidas, não só no futebol. Hoje a equipa do Benfica sabe com que modelo contar. Sabe que ideias tem de pôr em campo. Quer se goste quer não, saber-se com o que contar e o que é esperado de cada um é um elemento fundamental para um sucesso sustentado e não apenas ocasional.

Penso que terá sido "palavra dada" que Jesus renovará se for bicampeão. Considero também que o mesmo acontece com Maxi, a quem foi "palavra dada" que beneficiaria do contrato merecido pela importância do seu contributo e alma, "bastando" para isso ser campeão dois anos seguidos.

Neste sprint final, apesar de reconhecer claramente os defeitos e os feitios de Jorge Jesus, estou convicto que tal vontade será uma realidade e que o treinador renovará para permanecer fiel às suas ideias e convicções. Aqui o Isaías, a concretizar-se, não fica nada insatisfeito que tal suceda (bem pelo contrário), mesmo quando uma ou outra decisão daquela cabeça que habita por debaixo da longa juba, me faz exclamar um sentido, profundo e ruidoso

 

F#&4-$E!

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rematado às 15:12




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