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Primeira Liga 19/20



O passo atrás que nos empurra para a frente

por Ao Colinho do Isaías, em 30.04.18

A inesperada mas merecida derrota com o Tondela despejou as esperanças de um Penta conquistado em campo, por mérito, frente aos inimigos que souberam alimentar-se de nós, das nossas dúvidas, dos nossos fantasmas. Afinal, quantos de nós clicam nos seus sites, compram os seus jornais, assistem aos seus programas na TV?

 

Por sermos os únicos capazes de nos devorarmos a nós próprios, planearam usar os próprios Benfiquistas contra si mesmos - e funcionou. Reitero, como já escrevi há uns tempos atrás, que o problema não é a crítica. Essa, quando o objectivo é melhorar o que temos no presente, é parte integrante da nossa existência. O problema é quando a crítica não é nossa, mas induzida entre nós. O problema é quando a crítica é transformada em propaganda pessoal com vista a uma agenda futura.

 

Neste último ponto, falo de Rui Gomes da Silva que, tendo a possibilidade de criticar internamente, em privado, tentando aconselhar quem neste momento está no Benfica (uns bem, outros mal, seguramente, como em qualquer lugar), transforma a sua crítica num circo à sua volta, servindo-se de desaires do Benfica para, através da demagogia de quem (já) não tem a responsabilidade de exercer, bem ou mal, uma função, mostrar-se cada vez mais aquilo que de início negou: ser um candidato alternativo a Vieira.

 

Tal não seria nefasto, de modo algum - a apresentação de ideais e visões diferentes faz parte da base do Sport Lisboa e Benfica - mas torna-se num claro volte-face em relação ao que, logo à partida, ele deixou claro. Se quer aconselhar o actual Presidente do Benfica (que é uma pessoa por quem eu, pela minha parte, como já escrevi várias vezes, não me identifico, mas a quem reconheço os méritos nos seus momentos), tem, seguramente, acesso a Luís Filipe Vieira, bem como ao resto da estrutura. Poderá tornar públicas as suas críticas, mas nunca antes, nem em detrimento, de o fazer, primeiro, a quem de direito. Isto sim, seria a lealdade implícita à afirmação "jamais me candidatarei contra Vieira".

 

Há que entender que a tão falada "cultura do Terceiro Anel" se divide em dois períodos diferentes: um primeiro, no qual o "terceiro-anelista" se definia por um apoio incondicional durante os jogos, causando um sentimento de temor nos adversários; um segundo, no qual este se tornou num juiz de um tribunal, frequentemente afectado por soberba, passando a pressionar os seus próprios jogadores.

 

Hoje em dia, a cultura desse segundo período não funciona. Já não há Nenés. Temos de perceber que haverão momentos em que não conseguimos vencer, como não conseguimos nesse passado. Só que venceremos mais e venceremos melhor se, a nós sócios e adeptos, devolvermos o primeiro período dessa "cultura do Terceiro Anel": em primeiro lugar e à partida, trata-se sempre do que podemos fazer pelo Benfica e não o que o Benfica pode fazer por nós. O que o Glorioso faz por nós é sempre consequência do que fazemos pelo Glorioso.

 

Aperceber-me que uma criatura como o Sérgio Conceição está a um suspiro de ser campeão nacional é lembrar-me que, apesar de todo o nosso Fogo Sagrado, este mundo é e sempre será, no fundo, deles: dos imorais, dos falsos, dos canalhas. Ainda por cima, com um mundo inteiro cada vez mais letrado e, ainda assim, cada vez menos instruído, educado e inteligente.

 

Por nos debatermos com a realidade impura é que somos diferentes. Por isso apelidamos o que nos une de Glorioso e, por isso, contradizendo toda uma Natureza que nos empurra a cada momento para a tentação do caminho mais fácil (algo que é inerente a si mesma), teremos sempre vivo entre nós "um ideal sincero e puro".

 

De notar que eu tenho perfeita noção que foi dentro de campo que falhámos a maior parte desta época. Sei também que houveram decisões em relação ao plantel que debilitaram as nossas opções. Sei que há mudanças que terão de ocorrer para a próxima época, mas percebo também que não devemos nunca cair na tentação de desejar mudar tudo.

 

A ideia por detrás do rumo traçado é, por princípio no contexto presente e no contexto de um futuro próximo, a mais adequada para o Benfica. Teremos é de mudar algo na forma como o apoio ao treinador é prestado na construção do plantel e no uso da formação, bem como na forma em como ele é, pessoal e profissionalmente, escudado de uma comunicação social cada vez mais podre e hostil para com o que nós representamos.

 

Precisamos de um departamento de comunicação que seja capaz de incisivamente, em cada conferência de imprensa, em cada intervenção pública de qualquer interveniente do clube, traçar a linha limite. Há que evitar o desgaste, há que providenciar conforto, há que passar pelos momentos com a comunicação social como quem passa por território sobre fogo inimigo, porque é isso que, de facto, se trata.

 

Depois, teremos de usar o que já se fez como catapulta para o que se sonha. O Penta não acontecerá desta vez, pelo menos não dentro de campo, mas este passo atrás terá de ser visto como um impulso que nos empurra para a frente. Que seja o momento de reflexão, mas não de revolução.

 

Pela minha parte, Rui Vitória deve continuar - com o total apoio, não só da estrutura interna, como dos sócios e adeptos. Ninguém é perfeito, e também ele tem bastante responsabilidade no que se passou esta época. Contudo, se protegido, se ajudado, estou convicto que ele é um treinador capaz de continuar a levar-nos à alegria transcendente das vitórias.

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rematado às 16:54




25 comentários

De BENFICA365 a 30.04.2018 às 19:51

Meu Caro:
"politica" não me diz nada!...
Melhor, não me encanta... A "guerra" Vieira- RGS para já não me afecta.
Eu sou daqueles, que a minha "cultura de terceiro anel" vem de dentro de campo, é ai que defendo o Benfica, é ai dentro de campo que exponho, extravasso todo o meu livre Benfiquismo..
Se você me perguntar ou há esmagadora maioria dos Benfiquistas quem eram os Presidentes do Benfica em 50/ 60/70/80/ tenho que recorrer ao senhor sabe tudo mr Google ou às enciclopédias do Benfica que tenho em casa... agora se você me perguntar por jogadores do Benfica dessas décadas de cor e salteado não só digo os respectivos nomes, como até(alguns) resultados, marcadores dos golos, minuto ...
O meu Benfiquismo vem dos heróis dentro de campo/ pavilhões... e não dos presidentes!!!
Sobre "politica" é tudo ou quase tudo...
Vivo diariamente o meu Benfiquismo em função dos nossos desempenhos dentro da quadra.
Falar do Presidente é complexo, é uma complexidade apenas factual (principalmente de quem é de tão longe)... fixo os meus comentários, as minhas opiniões sobre o Presidente. vice-presidentes, directores etc nos seus trabalhos ao serviço do Clube...
O trabalho do LFV está colocado nestes anos todos, o do RGS simplesmente não conheço mesmo quanto estava no Benfica... ou pelo menos não encontro causa-efeito no Benfica

Saudações

De Ao Colinho do Isaías a 30.04.2018 às 19:58

Mas caro amigo, então que revolução fala, se não envolver o presidente?

Mesmo que mude o treinador e os jogadores todos, é do presidente que vem (ou tem de vir) a indicação do caminho a ser trilhado.

Se se decidir pela revolução, terá de se mudar para novo rumo, novo começo e, por isso, novo presidente. Se se decidir por uma continuidade, ainda que parcial em relação a cargos e modo de funcionamento, então terá de ser com o mesmo presidente.

Não falo de política, falo do que me parece lógico.

Cumprimentos!
Isaías

De BENFICA365 a 01.05.2018 às 00:26

Meu caro:
Novo rumo? SIM!
Nova estratégia? SIM!
Novo Presidente? Não(necessariamente)!
Não peço cabeças, peço novo rumo!!!!
LVF quer impor ao Benfica e aos Benfiquistas a ilusão de um Benfica principal, com a subida dos B aos A. Capaz de ganhar campeonatos... (pausa para um rir de frustração)
È entrar, pegar de estaca! Logo de imediato- selo de qualidade!
Basta olhar para a equipa B... foda-se (desculpe a ousadia) tão tenrinhos eles estão!!!!
Basta olhar para o Varela... para o Diogo Gonçalves... para o João Carvalho...
Nada de comprar jogadores feitos! Nada de comprar estaleca, experiência, provas dadas e competência, que isso não faz falta nenhuma!????
A formação como "salvação"... como modelo ganhador... quem no mundo??? Nem o próprio Barcelona... quem foi nos últimos 10 anos o jogador da formação do Barça que se impôs??? Talvez só Sergio Roberto!!!
Messi, Iniesta, Busquets, Piquet foram a ultima fornalha... daquela equipa do Barça que nos derrotou na final da youth legue quantos estão no plantel????
Ninguém pode cair na ilusão, ou no canto do vigário que LFV que quer forçosamente impor a formação... Renatos, Guedes,Lindelofs não aparecem ou crescem ou são criados todos os anos...
Ganhar só com a formação... impossível, todos os anos impor 6/7 jogadores não brinquem!!!
È o João Félix, Gedson a solução???... porra apetece-me mandar tudo para um lugar...
Segue a nossa equipa B???
Diga-me um capaz de entrar de caras neste Benfica já de si fraco ou movido a golos do Jonas????
Sim para entrar de caras!!!! Porque no Benfica, é tudo muito bonito, mas não há tempo para deixar crescer... ou rende ou não rende PONTO!!!
Quantos pontos, campeonatos, épocas tem o Benfica que perder??? para chegarmos à conclusão que o João Carvalho não deve nada a um André Carvalhas, a David Simão, a um João Teixeira...NÃO SERVE!!! NÃO SERVIRAM!!!
O que é que custa a um clube como o Benfica traçar um estratégia de "gastar" por época entre 20 a 30 M em contratações NECESSÁRIAS...
Vendemos Ederson, Lindelof, Nelson Semedo , Mitroglou mais coisa menos 80 a 90 m de encaixe... o que é que investimos????
Isto já vai longo...
Algo tem de mudar a vários níveis se queremos melhor na próxima época. !!!
Saudações

De Ao Colinho do Isaías a 01.05.2018 às 08:10

Carissimo,

Estamos de acordo e eu penso que o que foi definido foi juntar a alguns jogadores da formação a cada ano, jogadores já feitos. O problema, pelo menos este ano, é que as contratações não estiveram ao nível desejado e, por isso, penso que é no momento da escolha do plantel que deve haver muita reflexão.

Eu não defendo o presidente, que já deu provas de ser apenas um mercador. Contudo, defendo que, para a forma como o panorama do negócio do futebol está a mudar, este estratégia vai ser a mais acertada - e quem quer que tenha aconselhado Vieira a traçar este plano terá visto que em breve o negócio do futebol vai estoirar e a FIFA/UEFA terão de impôr restrições sérias às transferências, como já se tem visto gradualmente.

Agora, concordo que no caso particular desta época não correu nada bem. Isto não quer dizer que, como plano geral, não sirva.

O que é melhor para o Benfica não pode ser nunca a curto prazo, porque, quer gostemos quer não, a realidade é que o mundo é um negócio e uma arena. Os melhores momentos do Benfica viveram-se quando houve essa preocupação anterior em deixar condições para o futuro que ainda está por construir.

Abraço Glorioso!
A. Isaías

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