Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Primeira Liga 20/21



Os precedentes de que ninguém fala

por Ao Colinho do Isaías, em 16.05.18

O que se passou ontem em Alcochete, na Academia do Sporting Clube de Portugal, foi um dos episódios mais tóxicos do futebol Português, mas, vejo que ninguém na comunicação social é capaz de afirmar, não é incidente sem um precedente facilmente identificável.

 

A violência é o culminar de todo um processo que despoja a mente de todas as barreiras, fronteiras e regras, por forma a trazer à tona da consciência a condição natural do animal (neste caso humano, mas não exclusivamente). Essa condição natural é violenta, pois num habitat desprovido de protecção civilizacional, esse é o tipo de comportamento que permite sobrevivência.

 

Bruno de Carvalho (quer consciente, quer inconscientemente) tem vindo a incendiar progressivamente todas as barreiras que travam o regresso à barbárie natural. O auge que se atingiu ontem (veremos se é, realmente, o auge ou se ainda vai piorar) passou por todo um processo em que ele foi provocando as pessoas que lhe prestavam atenção a despir-se do "fardo" moral gradualmente. Nisto, a comunicação social (nada mais que abutres, vivendo da morte e da desgraça - que também ajuda a despir a sociedade dos tais valores) tem tanta ou mais responsabilidade que o próprio Presidente do Sporting, eleito com esmagadora vantagem.

 

Contudo, não vejo ninguém a apresentar a conclusão lógica e óbvia: é que Bruno de Carvalho é, ele próprio, filho de um processo cultural que promoveu durante décadas não só a legitimação da violência, como da corrupção e do populismo.

Ora, então vejamos:

 

- Quem é que deu início à integração da ideia extremista de "nós contra eles" no futebol nacional?
Foi José Maria Pedroto, que depois ensinou Pinto da Costa.

 

- Quem é que pela primeira vez se serviu de um estilo ordinário e provocador, por forma a atrair para si os mais fracos de espírito, que passaram a ver nele o grande general de uma guerra que nem sequer era real, mas que ele inventou para esse fim?
Foi José Maria Pedroto, que depois ensinou Pinto da Costa.

 

- Quem é que incentivou, promoveu e se serviu de violência organizada para aterrorizar os constituintes das instituições desportivas e de comunicação social que, uma vez despojados pela violência, passaram a ser por si minados?
Foi José Maria Pedroto, que depois ensinou Pinto da Costa e a sua trupe.

 

- Quem é que legitimou o uso da corrupção no desporto como forma "normal" de gestão?

Foi José Maria Pedroto, que depois ensinou a Pinto da Costa.

Não se pode olhar para o incidente de ontem, na Academia do Sporting em Alcochete sem fazer a óbvia ligação cultural ao incidente do Verão Quente das Antas de 1980, nem ao gradual surgimento do tal processo de ódio que lhe deu origem.

A diferença, óbvia, entre a dupla Pedroto / Pinto da Costa e Bruno de Carvalho é que os primeiros tiveram como objectivo dar sucesso ao seu clube por quaisquer meios, enquanto que o segundo, por fixar o condão da (tentativa de) glória em si mesmo, acabou por revelar tendências auto-destrutivas que arrastam a responsabilidade de uma significativa fatia de sócios do seu clube.

 

Enquanto não se fizer esta ligação pública e Histórica entre a origem desta cultura e os seus sintomas e produtos finais, a cultura permanecerá, para bem de todos os que se alimentam dela, qual parasitas, destruindo o "corpo" onde residem, e novos e piores "filhos" desse processo destruidor surgirão para incendiar o Amanhã - quiçá, não só no desporto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

rematado às 09:54




4 comentários

De BENFICA365 a 16.05.2018 às 17:00

Meu Caro:
Não precisei sequer de ler o texto com rigor e até o fim, porque chame o que quiser, é do tipo basta olhar que já sei o que se passa...
O que me revolta é que este gajo- o pedroto é encarado como um herói, como um mestre e ninguém é capaz de pintar o que realmente este tipo foi.. fazem uma avaliação de um tipo de bem... isso revolta-me...
este foi o homem que plantou a 1ª semente de ódio no DESPORTO nacional.
Saudações

De Ao Colinho do Isaías a 16.05.2018 às 18:02

Caríssimo Benfica365,

Absolutamente de acordo e é isso que quero que nunca seja esquecido:

Apesar da lavagem de imagem, Pedroto é, factual e comprovadamente, o pai/avô moral da cultura de ódio com a qual hoje todos se indignam.

Os mais variados indignados querem mesmo resolver? Resolvam então a mentira Histórica acerca de Pedroto, para que se possa aprender com o passado - pois é essa a função dessa disciplina.

Cumprimentos!
A. Isaías

De BENFICA365 a 16.05.2018 às 18:41

Meu caro:
Não sei como podemos as desmentir, desmistificar, mas entre muitas inverdades há pelo menos três que levam-me quase ao desespero, porque apesar de apresentar factos e mais factos e contra-factos quando as pessoas são desonestas intelectualmente ou pretendem continuar a ser só para que a mentira se torne a verdade universal, lamento mas acabo por desistir por cansaço... (deixo-os sempre com "... sabem? vocês tem toda a razão")
1. a história de encantar à volta do mito pedroto
2. a colagem do Benfica ao antigo regime ou clube do regime
3. o caso calabote

Saudações

De Ao Colinho do Isaías a 16.05.2018 às 18:56

Mas caro amigo,

Sabe porque é que esses três pontos são intocáveis para os "crentes" no Pinto-da-Costismo?

São intocáveis porque esses são os três pontos-chave onde o novo-Porto (o de depois da tomada de assalto pela dupla em questão) se baseou para que o povo da região se unisse à sua volta. São, digamos, os dogmas dessa religião - não é preciso que façam sentido, é apenas preciso crer fervorosamente... para se ser neo-Portista.

Sem esses pontos, não haveria força para unir as gentes da região, pois não haveria inimigo comum. O Benfica foi o inimigo eleito por representar a grandeza com que, há que dizê-lo, o antigo-Porto se identificava - daí as boas relações entre os clubes até Pedroto / Pinto da Costa, que até se convidaram mutuamente para as inaugurações dos respectivos estádios.
Não partilhavam os mesmo ideais, não, mas admiravam-se mutuamente pela sua força desportiva.

Se um Portista hoje aceitar a falsidade das versões de Pinto da Costa sobre esses três pontos, com que fica do seu Portismo? Fica com os valores de um antigo-Porto que, por cautela, Pinto da Costa também já se encarregou de tentar esconder e reescrever.

Abraço!
A. Isaías

Ao comentar coloque, por favor, um nome no campo respectivo ou faça login através do Sapo ou do Facebook. Isso irá facilitar a identificação nos diálogos:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.



Ao Colinho do Isaías

foto do autor


O verdadeiro Isaías!


Jorge Jesus? Nunca Mais!


Jonas, um de nós!


Campeões Eternos


Fehér, eterno 29


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Maio 2018

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Pesquisar

  Pesquisar no Blog







subscrever feeds