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Primeira Liga 19/20



Entrevista ao grande Isaías!

por Ao Colinho do Isaías, em 09.05.18

de 2016, do Canal do Benfiquista

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rematado às 17:51


Parabéns, Isaías!

por Ao Colinho do Isaías, em 17.11.17

Parabéns, Isaías!

 

Um forte abraço e votos de saúde e felicidade, deste teu admirador Benfiquista!

«««»»»

Isaías, o Pé-Canhão que vibra com o Benfica em dia de aniversário

 

Cinco dos 54 anos de vida do ex-jogador brasileiro foram passados no Benfica na década de 1990. Em entrevista ao Site Oficial, regressa ao dia em que percebeu que ia ser águia e fala dos golos que valeram títulos, nomeadamente em 1993/94, quando a equipa "jogou contra tudo e contra todos".

 

Isaías, o Pé-Canhão da década de 1980 e 1990, comemora 54 anos. Cinco deles passou-os ao serviço do Benfica e foi no Clube que se tornou um dos futebolistas que marcaram o campeonato português. Deixou o seu nome gravado na história do emblema benfiquista, de onde levou recordações para a vida.

Isaías Marques Soares, ou simplesmente Isaías. Era assim o seu nome de guerra nos relvados portugueses. Uma ameaça a todos os guarda-redes, com os seus inconfundíveis remates fulminantes que, invariavelmente, davam aqueles golos de bandeira.

Um ano em Vila do Conde, com a camisola do Rio Ave, foi suficiente para dar o salto para o Boavista – onde esteve duas temporadas (1988/89 e 1989/90). Dois anos de alto nível no Bessa garantiram uma transferência memorável para o Estádio da Luz

"Aconteceu naturalmente, pelos jogos que eu tinha feito pelo Boavista, onde tinha mostrado qualidade. Foi essa a principal razão da minha transferência para o Benfica. Joguei no Bessa e marquei um golo num jogo em que ganhámos 1-0 e, nesse momento, ficou praticamente cimentado o acordo entre as duas direções", contou o ex-jogador em entrevista ao Site Oficial.

"Na semana anterior, o presidente do Boavista tinha-me dito que os três grandes estavam interessados na minha contratação. Atualmente, penso que nesse momento já estava tudo certo com o Benfica. Os jogadores de referência que o Benfica tinha – Ricardo Gomes, Mozer, Valdo... – também pesaram na minha decisão. As direções entraram num acordo e eu fui assinar o contrato", recordou.

Aquele que ficou também conhecido como Profeta foi aposta do então treinador encarnado, Sven-Goren Eriksson, e o médio rapidamente provou que tinha valor para se impor como titular na equipa encarnada.

"Eu estava a chegar a Portugal, não conhecia muito. Não sabia ainda diferenciar os clubes, as camisolas. Eu era o patinho feio que estava a chegar a uma ilha maravilhosa. Comecei a perceber, através da Imprensa e do convívio com os jogadores – principalmente os estrangeiros –, e foi contagiante esta mística. Surgiu de uma forma muito rápida", descreveu.

"Sabia que, se quisesse ser titular no Benfica, teria de trabalhar muito. Focar simplesmente no trabalho. Foi isso que eu fiz", referiu.  

Isaías a jogar no antigo Estádio da Luz

"É sempre contagiante vestir uma camisola como a do Benfica. Depois, eu passei a acompanhar mais o historial, a mística do Benfica e é realmente um privilégio de poucos vestir essa camisola. E eu, com o meu trabalho, consegui honrar a camisola. Não tenho arrogância, tenho uma satisfação muito grande em contar aos meus amigos os tempos que passei no Benfica."

Ao falar-se de Isaías não há quem não recorde os fortíssimos remates de longe que lhe valeram a alcunha Pé-Canhão.

"Apesar de termos conquistado só dois títulos nacionais e uma Taça de Portugal nesses cinco anos, foi maravilhoso. Consegui atingir um patamar dentro do Benfica que é privilégio de poucos. Vinha de Cabo Frio, uma cidade que ninguém conhecia e conquistei logo parte do Benfica… Ganhar jogos já era maravilhoso, ganhar títulos era melhor ainda. O primeiro título no primeiro ano já foi uma coisa fantástica", salientou.

Esteve ao serviço das águias durante cinco anos, entre 1990/91 e 1994/95. Nesse período, realizou 178 jogos e apontou 71 golos, alguns dos quais verdadeiramente memoráveis e fundamentais para o títulos conseguidos em 1990/91 e em 1993/94.

"Ficámos muito felizes com o título conquistado em 1993/94, porque foi uma altura em que tínhamos de jogar contra tudo e contra todos. Com muita dificuldade, soubemos dar a volta às adversidades e conquistámos o campeonato. Foi marcante, até pelo percurso que fizemos. A conquista da Taça de Portugal também foi muito bonita, numa festa maravilhosa no Jamor. É um ambiente incrível, com pessoas a acampar na rua de um dia para o outro, a vibrarem… E acreditavam que íamos ganhar o jogo, claro", afirmou.

"Nessa minha segunda casa deixei um bom legado e uma história maravilhosa", assegura.

O Pé-Canhão tem pelo Estádio da Luz – marcou 36 golos no antigo recinto – o afeto de quem que ali viveu alguns dos momentos mais marcantes da carreira. Apesar do carinho e da nostalgia com que recorda a velha Catedral, onde jogou e marcou perante 120 mil espectadores, Isaías aprecia a modernidade e o conforto do novo estádio.

"A sensação de jogar com 120 mil pessoas nas bancadas é, obviamente, muito maior do que jogar com 65 mil. O Estádio da Luz é o mais bonito de Portugal e, neste novo, as pessoas estão mais perto dos jogadores, mas nunca é igual jogar perante o dobro dos adeptos", opinou.

"A única coisa que o estádio antigo perde para o novo são as estruturas, não dentro do campo, mas tudo o que está em torno do relvado. A estrutura dentro do próprio Estádio é uma coisa espetacular, muito bem pensada", elogiou.

Isaías a jogar com os croatas do Hadjuk Split

O Penta, na Liga NOS, é o grande objetivo do Benfica na temporada. Isaías confessa que, "por incrível que pareça", tem acompanhado a equipa liderada por Rui Vitória de forma "superficial", mas acredita que "o Benfica está a começar a engrenar novamente".

"Temos de continuar a trabalhar, a acreditar no míster e mostrar em campo a qualidade que os jogadores do Benfica têm, sem se precipitarem. Vamos chegar ao título. O importante é não perdermos pontos em casa. Acho que o Benfica está no caminho certo", afirmou.

Para isso, muito tem contribuído Jonas. O avançado é, para Isaías, quem se destaca na equipa do Campeão Nacional, ele que já ultrapassou o Pé-Canhão, tornando-se o maior goleador brasileiro do Benfica aos 72 golos.

"O jogador do Benfica que está constantemente em destaque é o Jonas. O homem que marca e continua a marcar. Que continue a marcar porque é um jogador com muita qualidade e que faz a diferença. Claro que não trabalha sozinho e não faz a diferença sozinho, precisa da ajuda e da entrega dos companheiros, mas penso que está no caminho certo", disse.

Em dia de aniversário, Isaías assume que "receber presentes é sempre bom, seja um carinho, um abraço, tudo o que seja de coração".

Com a entrada de Artur Jorge no Benfisa, Isaías saiu do plantel, indo então para Inglaterra, onde assinou pelo Coventry. Por lá ficou duas temporadas e, apesar da sua idade (já com 34 anos), ainda assinava exibições de qualidade, voltando a Portugal para jogar pelo Campomaiorense. Um jogador que deixou saudades em todos os clubes por onde passou e que fará sempre parte da história de um dos melhores períodos do Benfica.

"Penso que 80 por cento dos adeptos do Benfica se lembram do Isaías e têm um carinho especial por mim", disse.

"O que eu posso dizer aos Benfiquistas é que continuem a acreditar que o Benfica vai conquistar o título. Claro que é preciso trabalho, muito trabalho. Quando se trabalha, conquista-se. O Benfica tem potencial e tem estrutura", finalizou.

 

Texto: Filipa Fernandes Garcia

Fotos: Arquivo / SL Benfica

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rematado às 14:33


Volta, Isaías! És um dos nossos!

por Ao Colinho do Isaías, em 05.09.16
Volta, Isaías! És um dos nossos!
"Isaías está de volta a Portugal para encetar nova vida. Habituado a muito, vivia já sem condições no Brasil. Ajuda agora no restaurante do amigo Sìlvio, em Pombal.

Já não usa a barba que o alcunhou de Profeta nos tempos do Rio Ave, seu primeiro clube em Portugal, mas o tempo parece não deixar marcas em Isaías. Pelo menos fisicamente.
«52 anos? 25 ao contrário! Eu sei cuidar-me!», diz, o Pontapé Canhão que voltou a Portugal dia 12 de Julho. E veio para ficar. Aliás, para recomeçar. Como só os campeões conseguem.
No Benfica, de 1990 a 1995, viveu anos de glória. Ganhou dois campeonatos, uma Taça de Portugal e milhares dos antigos contos. Mas a vida dá voltas e prega rasteiras.
A conta que dele fez um rei no Brasil - sobretudo após o vantajoso contrato com o Coventry City para onde se transferiu depois do Benfica -, esvaziou-se em investimentos e ofertas, em compras e imóveis, em fazendas e aquisições de que pouco desfrutou.
Mal aconselhado e rodeado de amigos que dele se aproveitaram, Isaías nem foi dando conta de que o mealheiro se esvaziava. Irmãos tentaram alertá-lo e fazer ver ao jogador com nome bíblico que a inveja e cobiça eram pecados mortais que o estavam a fragilizar. Passaram os anos e com eles a ostentação. A ponto de Isaías viver nos últimos tempos numa casa sem condições, bem diferente da majestosa vivenda onde fazia churrascadas, num bairro que pouco fazia lembrar os tempos áureos em que jurou nunca mais ser pobre. Foi-se a abundância, ficou a necessidade.
Há oito anos que Isaías não saía do Brasil onde se entretinha, a pescar e a rezar por melhores dias. Mas os filhos - Isaías, de 24 anos; Lucas, de 20 que se encontra à experiência na equipa B do Benfica, e agora também a pequenina Maria, de 4 - , precisavam que o pai tentasse novo remate. De longa e para bem longe, cheio de força, como antigamente. Um remate à Peito de Galo, como também o alcunharam. Por isso Isaías voltou e vive agora em Pombal. Deu-lhe a mão o amigo de há 30 anos, Sílvio Ramos, dono do restaurante O Pote, onde o leitão força a paragem obrigatória.
Isaías é humilde, sempre o foi, e ajuda agora na copa do restaurante enquanto a vida não lhe mostra nova baliza para acertar.
«Vai às compras, ajuda a descascar batatas, a lavar loiça, faz o que aparece. O problema deste homem é ter um coração maior do que alguma vez teve o pé. Todos o levam na certa, ele não sabe dizer que não a nada ou a ninguém e agora não quer pedir ajuda. Mas tem mais é que pedir. Não é vergonha nenhuma assumir que precisamos de um empurrão, assumir que estamos no fundo. Ele é o Isaías. O que fez no Benfica ninguém esquece. E tenho a certeza que o clube também não. Luís Filipe Vieira é presidente para ajudá-lo. E ele merece», assegura o empresário, cujo restaurante, onde Isaías é, por estes dias, relações públicas, está repleto de cachecóis, fotografias, camisolas de clubes e jogadores de futebol e um cartaz de Eusébio.
«Claro que ainda o reconhecem. Outra noite fomos aqui a uma aldeia próxima ver um concerto do Mickael Carreira e ouvíamos as pessoas cochicharem' É ele? Não é ele?' Claro que pensavam: mas que raio faz aqui o Isaías no meio da aldeia?», ria-se Sílvio, amigo do Pé Canhão desde da sua chegada a Portugal, com 24 anos.
«Os benfiquistas deliram ainda com ele mas tem graça que são os rivais que mais o confrontam. Lembram-no de golos que marcou a Sporting e FC Porto. Todos reconhecem que era jogador excepcional», prossegue Sílvio, vingando-se no leitão que cortava sem parar.
«É... esse aí o meu irmão. O futebol dá-nos coisas maravilhosas e amigos como o Sílvio. Sempre pude contar com ele e nesta altura tem sido... nem sei o que dizer!!»
O assunto é delicado.
Isaías franze o queixo, engole em seco e recusa-se a assumir que precisa de ajuda para voltar a ouvir um apito inicial.
«A vida às vezes não nos corre da melhor maneira. Tive decepções, tive coisas boas e coisas ruins, hoje as coisas não estão boas mas aprendi uma coisa em Portugal: velhos são os trapos e eu não me sinto um trapo!»

Amor ao Benfica

Ao perspectivar o que pode ser o seu amanhã apenas um nome assalta a mente do antigo avançado da Luz: Benfica.
«Sentir-me-ia muito honrado se pudesse continuar a representar o meu clube. Se o Benfica me convidasse para trabalhar ficaria muito orgulhoso. Para que funções não seu mas de futebol percebo eu e tenho a minha experiência. Faço parte da história do Benfica. Dei muito ao futebol português e ainda sinto ter condições de continuar a dar. Claro que não chutando, mas sim a partilhar o que aprendi. Até mesmo o trabalhar nas categorias inferiores», vinca Isaías, esboçando sorriso mais aberto ao ouvir novo elogio. Desta vez de Rogério Santos, o assador de leitões do restaurante: «Há anos que o Benfica não tem um avançado como ele, que faça aquelas arrancadas e pás, meta-a lá dentro!»

«Hoje valeria €50 milhões»

Ao falar-se de Isaías não há quem não recorde os fortíssimos remates de longe que lhe valeram a alcunha de Pé Canhão. Muitos elegem-no como um dos antigos jogadores que mais faziam vibrar os adeptos.
«E sinto-me orgulhoso por isso. Sobretudo porque cheguei um 'zé ninguém'. Fui uma peninha que caiu no oceano e que conquistou muito num cube como o Benfica», acentua o antigo atacante,de 52 anos, que no Brasil, até aos 19, ajudava o irmão Ismael, que era ladrilhador. «Não gostava do que fazia mas precisava, claro!», recorda Isaías cuja carreira terminou aos 39 anos.
«Vou dizer o que nunca contei a ninguém. Foi um sportinguista que me trouxe para o Benfica. Acabou sendo o meu padrinho de casamento!» Quem? Isaías não diz.
Há assuntos que apenas consegue comentar com um esconder de lábios. Ao invés, outros há que o fazem abrir, ainda mais, os olhos.
«Penso que cheguei um pouco tarde ao Benfica, já com 27 anos, saí com 33. Acredito que poderia ter escrito história ainda mais marcante», confidencia, com resposta célere quando confrontado sobre o que não voltaria a fazer se voltasse atrás: «Sair do Benfica em 1994».
«Na época havia uma lei que, se o clube nos mandasse uma carta, o jogador tinha direito a mais um ano de contrato. Na altura o novo treinador, Artur Jorge, não queria manter a espinha dorsal da equipa anterior, campeã. Eu vi logo que não ia funcionar. Fui o melhor marcador e nem joguei todos os jogos mas ele não queria que eu ficasse, eu e outros que éramos a mística do clube. Fiquei frustrado. Mandaram-me a carta, ainda tinha um ano mas um director disse-me que se não saísse ia ficar a treinar-me sozinho. Isso magoou-me tanto que saí. Poderia ter batido o pé e ficado porque tinha a certeza de que passados três meses iam mandar embora o treinador para a casa não cair. Sentei-me com o presidente Manuel Damásio e disse-lhe 'vou sair, mas você vai ter de mandar embora o treinador muito em breve'. Fui para o Coventry, fui o primeiro brasileiro a jogar na Premier League. Entretanto, tal como eu dissera, o Artur Jorge saiu e quando o Paulo Autuori assumiu e equipa liguei-lhe de Inglaterra e dizer que não estava satisfeito lá. Ele prometeu que quando chegasse a Lisboa ligava. Mas nunca contactou. É o meu único arrependimento. Não devia ter saído».
De temos idos para o futebol da actualidade, Isaías encurta a distância. «Hoje? Valia €50 milhões! O futebol agora está inflacionado. Se analisarmos, por tudo o que fiz, pelo patamar que atingi e que nunca pensei alcançar... esse número é um cálculo meu. Posso estar errado mas lemos os jornais e vemos jogadores medíocres com clausulas de rescisão absurdas», opina o Pé Canhão, negando que os disparos que o celebrizaram fossem talento natural.
«Trabalhava muito isso. Ainda no Boavista, a equipa treinava de tarde e os guarda-redes de manhã. Eu pedia para treinar-me com eles logo cedo. No Benfica a mesma coisa. Quando todos saíam eu pegava em 10 bolas, colocava à direita, outros 10 no meio, outras à esquerda e ficava ali a rematar. Sentia que precisava de render. A verdade é que o clube pagava 24 horas mas na prática trabalhávamos quatro e tinha de dar sempre o máximo no campo. Sempre tive essa consciência. Era colega de jogadores de selecção e eu um natural de Cabo Frio! Era dos primeiros a chegar e dos últimos a sair. Todos falavam dos remates de longe, da força do Isaías mas o Isaías trabalhava para isso. Se todas as bolas que eu chutasse fossem golo, imaginem quantas bolas de ouro eu não teria em 10 anos de profissional? Hoje então com essas bolas e botas diferentes eu era... jogador de 50 milhões! Tudo na vida é trabalho. O sinónimo de perfeição é a insistência», lembra o Profeta.
 
Comparado a Eusébio, elogiado por Beckenbauer; o enguiço da 8 e da 11

-Brinca ao dizer patentear as alcunhas que ganhou; emociona-se ao recordar jogos especiais

Isaías esteve longe tanto tempo que confessa estar já desabituado de sentir toda a gente a olhar para si.
«No meu tempo ia ao marcado, à lota comprar peixe, adorava o convívio com os benfiquistas. No estádio, no final do treino, chegavam autocarros e eu parava sempre para dar autógrafos, comer castanhas e beber uma cervejinha com os adeptos», ri-se Isaías, concordando que tal, hoje em dia, seria impossível.
A conversa flui solta, para trás e para diante, do passado para o presente. «Melhor elogio? Ser comparado a Eusébio. Ainda agora no jantar de recandidatura de Vieira, António Simões disse-me: quando o via jogar lembrava-se logo do nosso grande Eusébio. A sua forma de actuar, de encarar o adversário. Não é para qualquer um. E não foi a primeira vez que ouvi a comparação».
 
Grandes figuras

«Apanhávamos sempre o Barcelona na Champions e o Guardiola que jogava na frente do Centrais, apanha com o Isaías. Nos jogos vinha abraçar-me. Bobby Robson? Sempre quis tanto trabalhar comigo, tinha verdadeira paixão pelo futebol de Isaías. Beckenbauer? Foi ver um jogo com o Boavista porque queria observar o Schwartz. A imprensa do dia seguinte dizia 'Beckenbauer foi ver Stefan mas encantou-se com Isaías»
.
 
Dia especial na Luz

«Nas meias-finais da Taça de Portugal frente ao FC Porto, em 1992/93. Tínhamos jogado nas Antas e já tinha dito ao Toni que tinha de ir ao Brasil resolver uma situação. Queria embarcar logo desde o Porto. Ninguém esperava que o conseguíssemos trazer o segundo jogo para a Luz. Quando acabou o jogo disse ao mister: vou embarcar. Ele disse não, não, não podes. Insisti: não adianta ficar aqui com o problema lá. Não vou estar bem psicologicamente. Ok, vais mas voltas, concordou. Assim fiz. Resolvi a minha pendenga e segui para estágio. Mas estava preocupado porque tinha passado dias sem treinar. Os meus amigos do Brasil disseram-me: vais jogar, vais resolver, vai assinar a bola com toda a equipa e trazes-nos a bola nas férias. No jogo fiz um golo, sofri penalty e ganhámos 2-0!»
.
 
Magoado e esquecido?

«Não. As pessoas ainda se lembram do Isaías. Valorizei o futebol português. Se não me falha a memória ainda sou o brasileiro com mais golos marcados no Benfica: 71. Jonas está muito perto e quero que ele me ultrapasse. Significa que o Benfica vai atingir os seus objectivos. Eu faço parte da história mas não sou a história. O Benfica é que não pode parar. E não vai parar.»
 
Outro pé-canhão?

«Ainda não vi algum parecido. Eu jogava com os dois pés. O direito era o preferencial mas curiosamente foi com o esquerdo que fiz os golos mais importantes. Frente ao Arsenal lá (jogo de Champions 1991/92) que marcou a minha carreira, o do FC Porto do 2-0, da meia-final da Taça, frente ao Sporting no 6-3. Do pés esquerdo, quando saía era fatal! Se ainda está para nascer um pé-canhão assim? Pois, mas todos os dias nascem!»
 
Enguiço com a 8 e 11

«No Benfica só não joguei com a camisola 2, 3, 4... Da 6 para a frente, até à 11, usei todas. Nunca fui supersticioso mas a camisola 11... quando acontecia, acontecia mesmo, mas quando não acontecia não tinha jeito. Com as outras isso não acontecia. Por exemplo quando vestia a 6 marcava sempre. Com a 11 fiz jogos maravilhosos, coisas bestiais mas havia jogos em que não saía nada. Com a 7, a 8, a 10 fiz bons jogos mas a 8 e a 11... A 6 era sinónimo de golo!»
 
Alcunhas

«Colocaram-me tantas, vou até patenteá-las! No Rio Ave era o Profeta por causa da barba e do nome bíblico. A minha família é cristã. Meus irmãos têm nomes com i: Ismael, Irene, Iúsa e Itamar. Naquela época não havia televisão! Meu pai era Isaú. A minha mãe conta que o meu pai andou três horas num jumento para poder registar-me. Morávamos fora da aldeia. Pé-canhão apareceu no Benfica, tal como o Peito de Galo, devido ao modo como corria. Chamavam-me homem golo mas Pé-canhão foi sempre a de que mais gostei»
.
 
Rituais

«Havia duas coisas de que não abdicava: entrar com o pé direito e usar o meu escapilarzinho do senhor do Bonfim. Não uma pulseira mas um colar. Como não podia usá-lo ao pescoço prendia-o no elástico dos calções.»
 
Belenenses

«Antes de vir para o Rio Ave (1987) estive um mês em testes no Belenenses. Passei cá o mês de Novembro, faço anos a 17, passei o aniversário sozinho e depois mandaram-me embora. Disseram-me que era muito lento. Cheguei cá magrela, passando fome...»
 
Primeiro golo em Portugal

«Frente ao SC Braga pelo Rio Ave: foi um chapéu ao guarda-redes! Chovia tanto...»
 
Golaço

«Na Luz, frente ao Estrela da Amadora. Estávamos a perder, fiz o 1-1, chutei a uns bons 40 metros. Foi o jogo antes do 6-3, com o Sporting. O mister Toni ficou irado de empatarmos antes do jogo com o rival. Eu disse-lhe tranquilo, vamos ganhar ao Sporting!»
 
Campeonato

«Vai ser bera mas é bom assim. Bom que também V. Guimarães, o SC Braga e outros estivessem na luta. Depois da conquista do Europeu, é momento do futebol português deixar de ser o patinho feio e começar a acreditar que pode comparar-se aos outros. Chega de ser o menino pobre. Há aqui qualidade. Nos grandes da Europa há sempre portugueses»
.
 
Conselho

«Dediquem-se ao máximo. Hoje a juventude e a adolescência são muito difíceis. Muitas redes sociais, muitas aplicações que lhes roubam tempo. Deixem as redes sociais e vão trabalhar para o campo. Quando mais de trabalhar, mais se aprende. Hoje em dia, com tanta concorrência, há que sair na frente e correr atrás»
.
 
Jonas

«É jogador diferenciado. Vi-o a jogar frente ao Torino, é parecido ao Nené. Muita pluma, elegante, quando não tem a bola parece que ninguém dá por ele mas quando a apanha... já fez, já criou desequilíbrios. Faz leitura muito boa antes da bola chegar. No futebol de hoje, que é tão rápido, não há tempo de dominar a bola e ficar olhando. Há que antecipar e ele faz isso muito bem.»
 
Sonho

«Sempre tive o sonho de ver um filho meu jogar a nível profissional com o meu nome nas costas. Lucas está à experiência na equipa B do Benfica. Tem 20 anos, é médio ofensivo, mais criativo que o pai. Isaías está em Campo Maior. É mais defensivo, joga também pelas laterais, já tem mais a minha força. Está com 24 anos, a idade que tinha quando vim para Portugal e as coisas aconteceram para mim. Ficarei em Portugal se tudo resultar para eles.»
 
Museu

Já fui, tenho lá as minhas coisas. Adorei os telões e o elevador com vídeos de jogos e momentos importantes. É muito bom.»
 
Cara fechada

«Sempre fui assim. As pessoas falam que antes de me conhecerem têm outra impressão. Não sou muito de conversar. Sou mais de observar. Quem fala muito sabe pouco. Dentro de campo era diferente. Quando se trabalha com alegria e se é apaixonado pelo que se faz...»
 
Velha guarda

«Temos de resgatá-los. Os jogadores dos anos 90 onde andam? Paulo Madeira, Veloso, Schwartz... As pessoas procuram-nos, recordam-se de nós, lembram-nos de jogos e ocasiões. Devíamos criar o hábito de reunir o pessoal e fazer uns jogos. Estou precisando fazer alguma coisa e treinar-me. Voltar a fazer uma equipa com aquele grupo ia ser bom, até para os adeptos»
.
 
 
Vieira e o sonho da final da Champions

-Isaías acredita que o Benfica vai chegar à discussão da liga milionária num futuro bem próximo

Isaías conheceu Luís Filipe Vieira na inauguração da nova Luz (2003). «Do estádio anterior conhecia todos os cantos. Se me soltarem neste perco-me! Fiquei maravilhado. Estrutura de clube grande, com condições e capacidade para chegar a patamares acima a nível de competições europeias. O presidente tem pulso e tem o sonho de levar o clube a uma final da Champions e pode pensar nisso. Num futuro bem próximo isso vai acontecer. Vibrei com o 35 no Brasil, quem sabe vem aí o 36 e a concretização do sonho do presidente», acredita o brasileiro, identificando-se com o percurso do líder encarnado. «Também veio de baixo e chegou bem longe. Para tudo na vida é preciso trabalho. Todos os benfiquistas, e não só, reconhecem a sua obra», elogia.
 
Isaías Marques Soares
Data de Nascimento: 1963-11-17 (52 anos)
Naturalidade: Brasil
Nacionalidade: Brasileira e Portuguesa
Peso: 80 quilos
Altura: 1,80 metros
Posição: Avançado
Alcunhas: Pé-canhão, O Profeta e Peito de Galo
Clubes: Vitória, Cabofriense, Rio Ave, Boavista, Benfica (1990/95), Coventry City, Campomaiorense, Cabofriense e Friburguense
Jogos pelo Benfica: 178
Golos pelo Benfica: 71
 
Elsa Bicho, entrevista ao Isaías, in A Bola
(Retirado de O Indefectível)
 
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Isaías em dificuldades financeiras quer recomeçar em Portugal
 
Ex-jogador do Benfica está a viver na zona de Pombal e a ajuda no restaurante do amigo Sílvio Ramos

Isaías foi uma das glórias do Benfica nos anos 90, mas tem passado por dificuldades nos últimos meses. Por isso deixou o Brasil e está de regresso a Portugal à procura de trabalho no futebol. Enquanto não arranja emprego 'o pontapé canhão' ajuda no restaurante de um amigo, em Pombal.

"Está a passar por uma situação difícil. Já se sabe como é: os jogadores de futebol têm dinheiro, mas quando deixam de ser torna-se complicado. Já não dá para viver do que ganhou, ainda por cima, naquela altura, não se ganhava tanto assim. E os amigos só aparecem quando se tem dinheiro", contou ao Jornal de Leiria, o amigo Sílvio Ramos do restaurante 'O Pote'.

Isaías faz questão de dar uma mão no dia-a-dia do restaurante: "Ele é humilde, até demais. Faz questão de ajudar no que for preciso. Está na copa, lava a loiça, descasca batatas se necessário. Os clientes ficam surpreendidos quando o veem e pedem para tirar fotografias. Ainda hoje é um rei por onde passa. A marca do pé canhão ficou."

Isaías Marques Soares chegou a Portugal em 1987, com 23 anos, para jogar no Rio Ave. A equipa de Vila do Conde desceu de divisão e ele mudou-se para o Boavista, onde esteve duas temporadas. Depois surgiu a possibilidade de ir para o Benfica, onde ficou cinco épocas, conquistou dois títulos nacionais e uma Taça de Portugal.

Seguiu-se o Coventry City, o Campomaiorense, e os brasileiros Cabofriense e Friburguense, onde terminou a carreira aos 39 anos.

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rematado às 11:16


O verdadeiro Isaías

por Ao Colinho do Isaías, em 11.08.16

Fui contactado hoje por uma simpática representante sua e fiquei a saber que o Isaías, o verdadeiro, aquele magnífico jogador, ídolo dos Benfiquistas que o viram jogar, vai passar a ter presença oficial na internet!

Assim sendo, dado que as minhas opiniões poderão, obviamente, não corresponder às do nosso inesquecível Pé-Canhão, passarei a assinar como "Admirador do Isaías".

Quero salientar que não houve qualquer pressão em relação a esta mudança. Pelo contrário, foi por mim sugerida, parecendo-me ser o mais óbvio e lógico, evitando quaisquer confusões com os nomes.

Desejo tudo de bom ao Isaías e que festeje connosco muitas alegrias proporcionadas pelo nosso Benfica!

 

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rematado às 19:08




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O verdadeiro Isaías!


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