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Primeira Liga



Um conto do Benfica

por Ao Colinho do Isaías, em 19.01.18

Reafirmo, em nota prévia, que não gosto da personalidade de Luis Filipe Vieira, como não gosto da personalidade de grande parte dos empresários modernos - pois ser empresário bem sucedido hoje, pressupõe ter traços de personalidade que condeno, pessoalmente. Como o mundo é que me contém e não eu que contenho o mundo, aceito bem que apontem que sou eu que estou errado, pois, dessa perspectiva, estou desfazado, em termos de valores, do mundo.

 

Posto isto, acho pertinente fazer mais um intervalo neste meu silêncio para comentar aquilo que têm sido os últimos tempos do blog mais visitado pelos Benfiquistas (e não só), o NGB. E faço-o servindo-me de um paralelismo com a parábola criada por Charles Dickens, "Um Conto de Natal". Neste caso, de Benfica.

 

Mas antes disso, um esclarecimento.

 

O actual Presidente do Sport Lisboa e Benfica, diga-se o que se disser, de facto revolucionou a instituição, modernizou-a (com o que de bom e de mau isso tem, dependendo da tabela de valores de cada um). Note-se, contudo, que a obra feita na vertente empresarial é relativa ao contexto mundial à sua volta - e aí, Vieira percebeu que ou consolidava o potencial empresarial deste nosso símbolo ou, eventualmente, cairíamos num novo fosso, materialmente. Aqui, tenho de concordar.

É verdade que o Benfica tornou-se mais impessoal, os seus sócios mais clientes e investidores a fundo perdido do que participantes activos e obreiros, contudo, esta é a realidade do mundo actual, não foi criação de Vieira nem do Benfica. Poderia o Benfica manter-se forte perante a pressão de um mundo cada vez mais mercantil e impessoal, sem encetar mudanças? Se o tipo de empreendedorismo dos seus sócios também mudou, como poderia Vieira não mudar o Benfica e deixá-lo ao acaso de uma perspectiva associativista e democrática, que depende de valores que se perderam e que são quase extintos na actualidade humana? Cosme Damião manteve-se íntegro e incorruptível nos seus valores quando perdeu a eleição em 1926 para Ribeiro dos Reis, mas poderia o Sport Lisboa e Benfica sobreviver às mudanças que já se viam em curso no mundo e em Portugal, no que concerne ao desporto, se a sua lista tivesse saído vitoriosa? Com clubes (encabeçados pelo Sporting) a começar a pagar cada vez mais a jogadores, poderia a ideologia pura e elevada do desporto amador de Damião manter o Benfica vivo? Não. A derrota do pai do Benfiquismo, um exemplo para todos nós, significou na realidade uma nova fase de ascensão, agora que o Benfica dispunha das mesmas ferramentas modernas (à época) e que conseguiria equilibrar as contas.

 

Serei, posto isto, apologista da maleabilidade ideológica? Não. Entendo é que, por exemplo, por muito que eu considere que os impostos são altos e mal aplicados (para ser leve na adjectivação) as consequências de não os pagar, por integridade ideológica, seriam destrutivas na minha realidade.

Não há rocha que resista à erosão das vagas do oceano das eras.

 

Serão tais mudanças no nosso Benfica, encetadas por Vieira face ao mundo, o fim do Benfica ideológico? Claro que não. O espírito do Benfica, a mística que nos une, só pode subsistir se o corpo que habita for forte. Esse espírito somos nós e só desapareceremos se quisermos, se desistirmos, se nos deixarmos corromper sem perceber a diferença entre uma casa e um lar. Vieira reconstruiu a casa à modernidade, com tudo o que tal acarreta, mas cabe a nós transformá-la em lar. É que as outras eras já não voltam, já não as veremos. Nós não somos como os nossos pais e os nossos filhos não serão como nós.

 

Com isto esclarecido, quero então falar do blog NGB e comparar as assombrações de Luis Filipe Vieira aos seus escribas. Não é minha intenção menorizar qualquer das opiniões ou autores que referirei, mas apenas, de forma individual e pessoal, formar uma opinião comparativa.

 

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Fantasma do Benfica Futuro:

 

O Fantasma do Benfica Futuro é o plano que envolve o Seixal: um Benfica made-in-Benfica, capaz de se auto-sustentar de forma geral, que eventualmente consiga manter os seus jogadores por forma a lutar, até, por um título Europeu.

 

Fantasma do Benfica Presente:

 

O Fantasma do Benfica Presente é Rui Gomes da Silva e as suas opiniões e conselhos, interpretados de variadíssimas formas. Rui Gomes da Silva acredita no melhor dos dois mundos - o do Passado e o do Futuro - e situa-se, por isso, num Presente de meio-termo entre os bastidores do futebol, a tasca popular e a empresa profissional.

 

Fantasma do Benfica Passado:

 

O Fantasma do Benfica Passado é o Shadows e também o Redmoon, cada um na sua medida.

O Shadows é o idealista por excelência, fiel a uma cultura de Terceiro Anel que mobilizou o apoio às equipas do Benfica durante um período temporal passado.

O Redmoon é, como apelidado pelo seu colega Benfica by GB, um romântico, defendendo a noção de que a honra de jogar no Benfica deve ser a principal motivação dos jogadores.

 

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Não sei se Luís Filipe Vieira lê o NGB ou não, mas é óbvio que alguém no Benfica o faz e lhe relata sumariamente o que por lá se escreve. No entanto, formam-se à sua volta, qual a Ebenezer Scrooge (personagem da tal obra de Charles Dickens), estas três assombrações que quererão ter peso na sua consciência. Que peso? Que influência?

 

Penso que Vieira quer de facto materializar a assombração do Futuro que ele próprio formulou. Mesmo para  quem considera que Vieira não é Benfiquista como afirma, não há nada que um mercador deseja mais que um grande negócio - que melhor negócio há no Benfica do que materializar essa visão que agora assombra o Futuro do clube?

 

Vejo também que no Presente só há um caminho a seguir pelos Benfiquistas: que é o de unirem-se à equipa, ao clube e até à empresa. Não porque concordem ou não com tudo o que se passa, se faz e se decide, mas porque as únicas ferramentas eficazes que os inimigos do ideal Benfiquista têm são os próprios Benfiquistas.

 

Considero por isso que o Passado não volta mais, por muito que a nostalgia nos bata (eu incluído). A realidade que compreendo em retrospectiva, pessoalmente, é que se a mentalidade do Terceiro Anel se tem mantido intacta durante a Presidência de Vieira como se manteve até esse ponto, hoje para além de não termos sido Tetra, não teríamos sequer condições para poder haver uma assombração de Futuro como a que Vieira formulou. Há que lembrar, numa auto-análise, que foi durante o tempo dessa cultura do Terceiro Anel que se permitiu que uma mafia se instalasse e tomasse conta das estruturas do futebol e se elegeu Damásio e Vale e Azevedo, que se maltratou equipas nossas e jogadores-símbolo.

 

Este nova incarnação do Benfica, impessoal e empresarial, pode não ser ao meu gosto, seguramente que não, mas é um corpo que garante de tal forma vitalidade para que nós, seu espírito e mística, habitem através dele para o Futuro, que os nossos inimigos desesperam de MEDO da nossa real FORÇA - e por isso mentem, conspiram e nos querem dividir. O que eles não entendem é que nós já somos e sempre fomos divididos - uns são ricos, outros pobres, uns antiquados, outros modernos, uns conservadores, outros liberais - mas somos unos no Amor a esse símbolo que jamais deixaremos cair.

 

Seremos nós que transportaremos aos ombros o nosso ideal Benfica rumo ao Penta.

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rematado às 11:53


Os diversos Benficas do Glorioso

por Ao Colinho do Isaías, em 02.09.17

Acompanho, conforme o meu tempo me permite, o blogue Novo Geração Benfica, por ter como autores pessoas que são apaixonados Benfiquistas, com opiniões tão díspares quanto o alcance das asas bem abertas da Águia no símbolo do Glorioso.

 

Algo me aconteceu, pessoalmente (e que não revelarei aqui), há dois anos, com a conquista do Tri, que fez a minha postura perante o Benfica actual alterar-se. Como entendo, em primeira mão, a profundidade das preocupações de alguns dos Benfiquistas que escrevem nesse blogue (bem como noutros, diga-se), decido agora escrever algo breve sobre essa visão do Benfica e de como o clube é gerido actualmente, que tenho uns minutos antes da Supertaça de Futsal.

 

A questão é que não foi o Benfica que mudou desde os saudosos tempos do Eusébio, do Coluna e de toda aquela constelação Mística. Foi o mundo. Aliás, o mundo Português começou a mudar com atraso, só em 1974, quando noutros países essa mudança já se tinha feito sentir. Não estou a classificar essa mudança como "boa" ou "má", pois isso não é conversa para aqui chamada. O facto é que o mundo em si mudou drástica e repentinamente nos últimos 50 anos e para uma significativa fatia dos Benfiquistas essa mudança, em particular após a depressão dos 1990's e 2000's, não foi possível de assimilar devidamente. A posição de Portugal no mundo alterou da noite para o dia, a sua importância económica e estratégica também. A descolonização secou o principal viveiro de talento do Sport Lisboa e Benfica, tanto ou mais do que quando surgiram o Casa Pia Atlético Clube e o Clube de Futebol "Os Belenenses" nos anos 20. No entanto, só em 1979 é que o Benfica se começou a adaptar a uma realidade cada vez mais evidente: que o futebol iria deixar de ser um desporto e passaria a ser um negócio, tão competitivo e desleal como os outros negócios todos.

 

Hoje vive-se na época dos 200 e tal milhões do Neymar, com dinheiro do petróleo, precedente aberto pelo magnata Russo do Chelsea e, por isso, o peso do Benfica no mundo de futebol, ainda que mágico na capacidade que tem de chegar a todos os cantos do mundo, é muito inferior do que era há 50 anos.

 

Ao fim deste tempo todo, o Benfica vive agora uma nova página da sua História, imerso num mundo cada vez mais incivilizado, sediado num país cada vez mais desprovido do seu carácter, do seu amor-próprio e da sua força estratégica - num país cada vez mais ajoelhado às forças de um Império que, ao contrário de Roma, não se manifesta com estandartes nem com armas.

 

No futebol dentro do campo, o empate com o Rio Ave (que até nem foi nenhum resultado desastroso, porque o Rio Ave é, neste momento, o 4º clube do futebol Português a nível estrutural, na minha opinião) trouxe à tona as inseguranças todas que parte dos Benfiquistas tem sempre perto de si, como aquela fotografia do momento que queremos esquecer, mas que guardamos no álbum mais precioso. Passámos a ter que refazer o plantel de alto a baixo, porque temos de ganhar os jogos todos - comparando com um tempo em que os clubes periféricos mal tinham campo de treinos, quanto mais equipa para se bater com o profissionalismo que o Benfica já evidenciava nos 60's. Empatámos este e perderemos mais pontos noutros jogos. Os grandes já não jogam sozinhos. Mais a mais, o Benfica já não é visto como grande na UEFA, a par por exemplo, de um Chelsea, devido à sua posição. O Histórico serve os puros e os românticos, mas a UEFA e os parasitas que gravitam à volta do futebol não querem saber disso, apenas do poder.

 

Colocado num mundo assim, quem neste momento traçou um Sport Lisboa e Benfica com este tipo de gestão adaptou-se aos parasitas (mesmo que se opine que o faça por simpatia com eles) por forma a adaptar o clube ao que aqui está e ao que aí vem. Para isso, Rui Vitória é o homem certo - pela sua inteligência, postura, visão e capacidade de gestão pessoal - e, por consequência, também o é o mercador Luís Filipe Vieira.

 

Da mesma forma que o Sport Lisboa e Benfica teria ficado pelo caminho se a ideologia pura de Cosme Damião (um dos originais Benfiquistas) tivesse vencido a adaptativa de Ribeiro dos Reis, também o Benfica ideológico que nos deixa saudades lá atrás seria um farol apagado sem esta mudança no mundo material.

 

Afinal, o "Espírito" do Glorioso (esse sempre puro) necessita de um "Corpo" forte para residir e continuar a Iluminar-nos à transcendência que todos procuramos, em cada jogo, nos relvados pelo mundo fora onde saltitam as papoilas berrantes que nos apaixonam profundamente.

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rematado às 13:52


A redenção de um TETRA

por Ao Colinho do Isaías, em 14.05.17

Tais foram as lágrimas que ontem brotaram nos meus olhos, pela emoção da vitória sobre o Vitória de Guimarães, do futebol avassalador, da História, sim, mas sobretudo pelo entendimento profundo do que realmente foi alcançado. Nestes momentos, o Benfica dá-nos a oportunidade, a cada um de nós, de nos erguermos acima do lodo inerente à nossa existência. Os problemas mundanos extinguem-se, as preocupações tornam-se supérfluas, ocorre uma "pequena morte" que nos deixa saborear o êxtase da transcendência.

 

 

Só que o Benfica não venceu apenas, fez mais que isso. Abrasou uma vez mais, com a Luz intensa do seu íntimo sol, todos os vampiros conscientes e inconscientes, que desesperam por tapar a contínua manifestação do Fogo Sagrado, para subsistirem. Desligados da vida, eles invejam-nos por o Benfica nos ter escolhido, por nos imbuir com estas chamas que, ao contrário do que se diz, não criam um Inferno da Luz, mas sim que queimam um Inferno (o da mundana existência) com a Luz.

 

Este é, para mim, também, um momento de redenção. A coragem de um homem é mais facilmente vista pela forma como aceita os seus erros e assume e admira os seus melhores. Sofri de cegueira. Não reconheci Rui Vitória nem quando o vi, nem quando começou perdendo no nosso clube. Não tive a clarividência de perceber e só o milagre da conquista que ainda foi a tempo de conseguir na época passada me mostrou. Ainda assim, apesar de ter mudado o meu discurso aqui no blog, ainda me faltava assumir o erro.

A diferença individual entre Jorge Jesus e Rui Vitória, bem como o efeito que cada um tem nos que os rodeiam, é abissal. Fomos levados pela tentação da boçalidade nos momentos de vitória. Confundimos exigência com prepotência. A isto tudo, Rui Vitória reagiu com coerência, consistência e tranquilidade. Devolveu àqueles que seguem o Benfica um sentimento tão mais próximo da originalidade do próprio clube, tão genuíno, que se tinha perdido pelas eras mercantis, onde deixámos em lápides alguns dos últimos verdadeiros idealistas.

 

Só que o Benfica não existe fora do seu contexto. Se a era é mercantil, então o Benfica adapta-se. Se o nosso Símbolo é uma estaca cravada na escura Roma, qual um farol (por isso nos situamos na Luz), então si fueris Romae, Romano vivito more (em Roma faz como os Romanos). Se a era é mercantil, então quem melhor que um mercador astuto para liderar o clube e empresa? Luís Filipe Vieira, a quem reconheço variados defeitos que foi revelando ao longo destes 15 anos, tem o mérito de perceber "como ser Romano" antes dos outros. Deu ao Benfica as ferramentas próprias para se afirmar de novo neste novo mundo, tão distante dos tempos da fundação, como outros antes dele o fizeram. Adaptou o clube aos novos tempos. Mesmo que o tenha feito partindo de motivações egoístas, tornou-se num homem cujo Destino se revelou muito maior do que ele próprio.

 

«O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.»
- in Tabacaria, Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

Vieira encontrou, nestes dois anos, em Rui Vitória, o contraponto fundador, o idealista à imagem de figuras de proa do nosso clube no início e meio do século XX. O homem que soube acender um outro tipo de lume em nós todos, através da comunicação calma e respeitosa, mesmo nos momentos em que teve de se exaltar perante as circunstâncias. A fortuna que o acompanha, acompanha-nos agora, porque Rui Vitória fundiu-se tão naturalmente com o Benfica que, agora, parece que nasceram juntos. E não tenho quaisquer dúvidas que a sua Sorte, tão aliada às suas outras competências nos momentos mais cruciais, tem sido a força da sua "raça ardente e viva". Peço perdão, Rui Vitória. Grato pela alegria e inspiração, que vão bem além das vitórias conquistadas.

 

E agora, celebre-se mais um pouco. Somos TETRA, porra!

 

Daqui a duas semanas, já há mais um troféu para conquistar - sempre com o máximo respeito pelos adversários (humanos como nós), sem tomar absolutamente nada como garantido, com total humildade e uma ardente vontade de saborear de novo a transcendência.

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rematado às 20:50




Admirador do Isaías

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O verdadeiro Isaías!


Rui Vitória entre nós!


Jonas, um de nós!


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Fehér, eterno 29


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